Entre a cor e o esmalte: sobre a azulejaria moderna em Pernambuco

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Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

A integração entre arte e arquitetura esteve no cerne da experiência moderna. Não foi diferente na arquitetura pernambucana. Os painéis do pintor Cícero Dias, na Secretaria da Fazenda do Estado, projeto do arquiteto Fernando Saturnino de Brito, ou o mural de Reynaldo Fonseca, na residência da família Castro e Silva, do engenheiro elétrico José Norberto, demonstram que, tanto na esfera pública quanto privada, a integração entre obra de arte e arquitetura era desejada por arquitetos e projetistas modernos. Das diversas formas de expressão artística, a azulejaria, por sua particular forma de integração com a arquitetura, encontrou um cenário propício para o seu desenvolvimento, tanto na forma de tapete como painel temático. Se por um lado, os painéis temáticos, aplicados em superfícies de destaque das edificações, eram concebidos por artistas de renome como Francisco Brennand, a azulejaria de tapete, extensivamente aplicada nas superfícies externas dos edifícios, foi, na sua maioria, obra de arquitetos. A escolha dos arquitetos por tapetes cerâmicos, deveu-se aos aspectos estético (embelezamento) e técnico (proteção contra os rigores do clima), além da natural continuidade da tradição azulejar oitocentista. Este artigo apresenta e analisa essa vasta produção artística, dedicando-se, porém, ao estudo mais detalhado obra de azulejaria do arquiteto Delfim Amorim, talvez o maior entusiasta na utilização do revestimento cerâmico nas edificações. O arquiteto costumava desenhar painéis específicos para suas edificações, dando um caráter de exclusividade de objeto artístico à azulejaria de tapete, contraditoriamente fundamentada na produção em série de seus componentes. Amorim imaginava três momentos de percepção do tapete de azulejos. À distância, o observador era capaz de visualizar o conjunto arquitetônico e o painel de azulejos, perdendo, no entanto, o domínio do intricado desenho geométrico que o compunha, apreendendo apenas a soma ou fusão cromática das cores aplicadas. Aproximando-se do edifício, o observador é capaz de identificar o tapete formado pela aplicação do motivo padrão, que é apenas percebido à uma curta distância da superfície de revestimento. Segundo esse procedimento compositivo, residências e edificações de pequeno porte, por sua própria escala, condição de implantação e possibilidade de visualização, recebiam painéis de desenho mais delicado. Naturalmente essa estratégia se devia a inexistência do primeiro momento de observação, e a quase fusão dos dois últimos - apreende-se o painel, ao mesmo tempo em que se percebe o motivo geométrico base. Em edifícios em altura, o arquiteto valia-se da distância de observação para ampliar a escala do motivo base do painel e, consequentemente, estabelecer mais claramente aqueles momentos de percepção.

Como citar

AMORIM, Luiz Manuel do Eirado. Entre a cor e o esmalte: sobre a azulejaria moderna em Pernambuco. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.