Ainda modernos?: arquiteto Gustavo Penna e sua modernidade
Resumo
"A teoria da visibilidade pura deve-se a Konrad Fiedler (1841- 1895). Parte da distinção de Kant entre uma percepção subjetiva, que determina um sentimento de prazer ou de dor, e uma percepção objetiva, que é representação de uma coisa. Afirma que o campo próprio da arte é a percepção objetiva. Visão e representação, intuição e expressão, são desse modo identificados na obra de arte. E o caráter essencial da arte revela-se no conceito de "contemplação produtiva". Este referir da arte ao problema do conhecimento, este excluir da arte o sentimento, este reduzir a arte ao conhecimento da forma, à visibilidade pura, era um modo de regressar ao criticismo kantiano." A partir do levantamento de métodos de crítica de arte, de autores italianos que são referência no Brasil (Argan - livro: Arte Moderna e seu mestre Lionello Venturi - livro: História da crítica de Arte ), procura-se estabelecer parâmetros para uma crítica contemporânea de arquitetura que não seja uma norma, e nem "apenas um esquema de interpretação útil para certas obras de arte, e inútil para outras" , a partir da investigação de suas relações com a estética kantiana (livro: Crítica da Faculdade do juízo ) e schileriana (livros: A educação estética do 6 7 homem numa série de cartas e Poesia Ingênua e Sentimental ), na hipótese de terem sido a referência principal das teorias de arte até hoje, para se lançarem os pressupostos da hipótese principal de que nossa arte contemporânea é ainda moderna e inclusive sua crítica é ainda completamente devedora das estéticas de Kant e Schiller. A reflexão proposta acima apoia-se também na tese defendida pelo crítico de arte Alberto Tassinari em seu livro O Espaço Moderno , quando afirma que o séc. XX não produziu uma transformação relevante no espaço que justifique a sua mudança da categoria de moderna, partindo para a apreciação da arquitetura contemporânea de alguns arquitetos mineiros, e mais especificamente do arquiteto Gustavo Penna, que poderia ser caracterizado na "fase de desdobramento da arte moderna", como denomina Tassinari. Este ensaio está inserido em pesquisa que pretende investigar a expressão da modernidade como pensamento e prática na arquitetura contemporânea brasileira, procurando compreender a contribuição da produção ocorrida em Minas Gerais a partir da década de 80 do século XX e suas repercussões no Brasil. VENTURI, Lionello. História Crítica da Arte. Lisboa, Edições 70, 1984. ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo, Companhia das Letras, 1993. VENTURI, Lionello. História Crítica da Arte. Lisboa, Edições 70, 1984. Ibid. p. 232. KANT, Immanuel. Crítica da Faculdade do Juízo. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1995. SCHILLER, Friedrich. A educação estética do homem numa série de cartas. São Paulo, Iluminuras,1990. SCHILLER, Friedrich. Poesia Ingênua e Sentimental. São Paulo, Iluminuras,1991. TASSINARI, Alberto. O Espaço Moderno. São Paulo, Cosac & Naif, 2001. "A modernidade na arquitetura contemporânea brasileira: repercussões do grupo mineiro." Pesquisa realizada em doutoramento na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, sob orientação do Prof. Dr. Júlio Roberto Katinsky.
Como citar
VIEIRA BRAGA, Raquel Dias. Ainda modernos?: arquiteto Gustavo Penna e sua modernidade. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

