Unilabor e a capela Cristo Operário
Resumo
O edifício da Capela Cristo Operário é o testemunho presente de um projeto de ação junto a uma comunidade de trabalhadores fabris de um bairro popular na cidade de São Paulo na década de 50. Esse projeto de ação comunitária foi liderado por um padre dominicano que trouxera, de sua experiência como padre e operário na França na década de 30 e de sua militância no movimento Economia e Humanismo, a visão de um trabalho que vinculasse a atuação pastoral com o enfrentamento das contradições materiais da vida da população pobre. O edifício da Capela é, também, a única parte desse projeto que restou intacta. A comunidade constituída a partir de 1954 em torno da Unilabor – empresa fabricante de móveis modernos e que foi a alma do projeto – dissolveu-se entre 1965 e 1967 por motivos ideológicos, econômicos e políticos. A empresa Unilabor foi criada por iniciativa desse padre dominicano, Frei João Batista Pereira dos Santos (1913-1985) e do designer Geraldo de Barros (1923-1998) e começou a funcionar em agosto de 1954. Sua principal característica foi o funcionamento interno em moldes de autogestão e a consideração de que os frutos do trabalho coletivo deviam pertencer a toda a comunidade, constituída pelos operários e suas respectivas famílias. Conforme está dito no artigo primeiro de seu estatuto, a empresa pretendeu funcionar "internamente como comunidade de trabalho, fora do sistema capitalista". Pode-se dizer que a Unilabor constituiu a parte central do projeto de Frei João – na medida em que era a sua porção econômica. A porção religiosa do projeto, representada pela existência de uma Capela consagrada ao Cristo Operário, vem completar a idéia do empreendimento como projeto abrangente, que tentou questionar e elaborar as relações de classe no cotidiano. A criação da Capela, a partir de uma construção simples que servira de armazém outrora, envolveu uma plêiade de artistas plásticos, arquitetos e intelectuais que se juntaram a essa direção religiosa-católica. Tal colaboração nasceu da vontade comum de colocar ao alcance dos trabalhadores não apenas os elementos mais básicos para a sua sobrevivência, como a possibilidade de trabalhar e ganhar o pão de cada dia, mas também o que de melhor a arte e a cultura podiam produzir objetivando, além do progresso material, também o crescimento espiritual. A obra de decoração da Capela foi executada entre 1950 e 1953 por alguns dos mais atuantes artistas e arquitetos modernos (entre eles o pintor Alfredo Volpi e o designer Geraldo de Barros) e compõe-se de um conjunto de sete pinturas murais, cinco vitrais, luminárias, mobiliário e objetos para o culto, além dos jardins na área externa executados a partir de indicações do paisagista Roberto Burle-Marx.
Como citar
CLARO, Mauro. Unilabor e a capela Cristo Operário. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

