As vanguardas artísticas e a Arquitetura Paulista nos anos 50/60
Resumo
Dizer que a fundamentação da Arquitetura Moderna Brasileira, em sua vertente carioca, é tributária da discussão sobre a brasilidade, presente nos meios artísticos desde antes do Manifesto Pau-Brasil (1924), parece consenso. Se tal fundamentação, paradoxalmente, caracteriza uma maior coerência do modernismo brasileiro em relação à matriz européia, ou se é o desdobramento lógico de determinada racionalidade aplicada aos trópicos, é algo difícil de responder. De qualquer forma, é conhecido o resultado: o patrocínio do Estado à esta arquitetura, constituindo um momento fundamental de nossa modernidade. Agora, propor a(s) vanguarda(s) paulista(s) como que ligada(s) a uma necessária renovação do ambiente cultural e artístico brasileiro, atualizando suas discussões junto ao que acontecia no panorama internacional, é algo mais complicado. Mas aquele mesmo patrocínio a uma certa arte/ arquitetura moderna brasileira, sua maturidade e fama internacionais parecem ter abafado outro momento não menos fundamental e renovador, representado, em certa medida, pela batalha da abstração: à um modernismo figurativo e “regional” passa a se opor uma arte cosmopolita, herdeira das correntes construtivo-abstratas, em meio a um período caracterizado pela criação do MAM – SP e do MASP, e pelas primeiras bienais internacionais de arte e arquitetura de São Paulo. Admitindo-se, assim, que são dois os momentos fundamentais (renovação) no desenvolvimento da arquitetura moderna no Brasil, que correspondem a “fase heróica” das décadas de 30/ 40 (com a posterior afirmação da Escola Carioca), e a arquitetura paulista dos anos 50/ 60; e que, em ambos os casos, as obras e formulações dos arquitetos foram precedidas e/ ou simultâneas à momentos não menos fundamentais para a renovação da arte e da cultura no país - a introdução do modernismo nos anos 20/ 30 e as propostas das vanguardas construtivo- concretistas dos anos 50/ 60, respectivamente; parece absolutamente necessário examinar os possíveis pontos de contato entre os vários movimentos artísticos e a arquitetura, principalmente no segundo período, relativamente menos estudado. Em linhas gerais, trata-se, portanto, de buscar um melhor entendimento não só da arquitetura paulista, como da arte e da cultura brasileira como um todo, entendendo as diversas linguagens artísticas como fenômenos que embora tenham lógicas particulares, devem ser analisados também em suas inter-relações. Isto, como forma de enriquecer as discussões sobre os (des)caminhos de nossa arquitetura num período de incertezas culturais.
Como citar
ROCHA, Ricardo de Souza. As vanguardas artísticas e a Arquitetura Paulista nos anos 50/60. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

