A representação pictórica do trabalhador brasileiro em obras da Arquitetura Moderna Brasileira

p. 1-3

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

No Brasil, o nacionalismo jogou um papel essencial no esforço pela modernização. Uma peculiaridade do modernismo brasileiro engajado no projeto nacionalista foi estabelecer uma continuidade entre o passado nacional e a produção moderna. No terreno da arquitetura basta lembrar a participação decisiva de Lúcio Costa na criação da arquitetura moderna brasileira e do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico. Nas artes plásticas tal propósito gerou uma produção diversificada de representações do Brasil que tinha entre suas matrizes tanto o modernismo internacional e a produção de intelectuais modernistas brasileiros quanto a pintura acadêmica e a historiografia oficial anterior. O encontro entre arquitetura moderna e artes plásticas modernas de temática nacionalista se não histórica configura uma “síntese das artes” peculiar brasileira. Esta interlocução esteve presente em inúmeras obras significativas, tirando partido do caráter público da arquitetura para a execução de obras de decididas feições pedagógicas, visando tornar públicas representações da identidade brasileira. Tão interessante quanto o levantamento das obras e de suas características, apresenta-se o estudo dos agentes envolvidos em seu empreendimento. Ou seja, além de entendermos a visão dos autores das obras sobre a interlocução arte/arquitetura devemos prestar atenção à visão e motivação dos demais promotores envolvidos em seu empreendimento (políticos, funcionários públicos, empresários ou críticos). Para este seminário propomos a comparação de dois casos, obras importantes da arquitetura moderna brasileira, nas quais comparecem pinturas murais que representam de maneira distinta - reflexo das mudanças na cultura, na economia e na política entre as décadas de trinta e de cinqüenta - figuras idealizadas do “trabalhador brasileiro”. O primeiro objetivo será desvendar a relação que os painéis que Cândido Portinari pintou, retratando “a vida econômica ou a evolução econômica” do Brasil, estabelecem com a arquitetura do Ministério da Educação e Saúde onde se inserem. Estudando a atuação do Ministro Capanema, cuja mediação foi decisiva para a efetivação de tal colaboração entre arte e arquitetura, e do grupo de intelectuais que o auxiliaram, entenderemos os vínculos entre as representações de trabalhadores rurais criadas por Portinari e um edifício tão significativo. O segundo objeto deste estudo comparativo será o conjunto de painéis presentes no edifício inaugurado em 18 de agosto de 1953 como sede do Jornal “O Estado de São Paulo”. Enquanto no exterior um painel de Di Cavalcanti descrevia a moderna cadeia produtiva de um jornal, no saguão de entrada, inusitadamente, Clovis Graciano pintou um afresco cuja temática “bandeirantista” alude a uma partida das Monções no século XVIII. Encontraremos a relação entre representações do trabalho tão distantes no tempo e entre a arquitetura moderna do edifício e a empresa jornalística, voltando nossa atenção para a maneira como os donos da empresa promotora das obras, a família Mesquita, desejavam representar seu papel no processo de modernização brasileira.

Como citar

SANTOS, Fábio Lopes de Souza. A representação pictórica do trabalhador brasileiro em obras da Arquitetura Moderna Brasileira. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.