A construção da centralidade: labirinto de galerias em Juiz de Fora

p. 1-3

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Juiz de Fora, espaço urbano de nossa investigação, tem como uma de suas características marcantes a sua própria história industrial. Sua formação começa em 1838 com a aldeia de Santo Antônio do Paraibuna, que cresce e é elevada a categoria de vila, em 1850, e logo cidade, em 1853. Desde o início do século XIX, com o crescimento da produção e exportação cafeeira da zona da mata mineira, a cidade foi eleita o lugar dos investimentos dos barões do café, refletindo o ideal moderno de urbanização daqueles senhores. Sua importância, entretanto, é percebida a partir de meados da segunda metade do século XIX, chegando a ser a principal economia do Estado até a década 1930, quando há uma estagnação econômica local, que só recentemente é superada. Desde o início, o seu espaço urbano vem sendo planejado, pois já em 1860, foi contratado o Eng. Gustavo Dott para regularizar o traçado urbano e projetar sua expansão. Seguidamente, observamos a realização de plantas cadastrais, planos de urbanização, entre outros planejamentos urbanos. Entretanto, no que trata da forma urbana, observamos que a cidade de Dott já configurava o traçado da área central que serve á nossa pesquisa, pois é aí que está o objeto de nosso trabalho: um volumoso conjunto de edifícios-galeria que acabam configurando uma nova estrutura e relação entre público e privado nos anos finais do século XX. Assim, buscamos analisar as relações morfológicas urbanas que têm essas galerias com edifícios de mesma natureza arquitetônica-urbanística em outros países, notadamente da modernidade européia do século XIX, onde estes conjuntos arquitetônicos expressavam novas necessidades de uma sociedade capitalista, pós revolução industrial e urbana. Contudo, por hipótese, acreditamos que a adoção de uma morfologia arquitetônica importada da sociedade industrial emergente do início do século XIX, é um fenômeno que responde a problemas localizados, isto é, em Juiz de Fora esta tipologia é buscada para a superação das dificuldades impostas aos habitantes pelo desenho da cidade, mais do que a resposta a uma nova necessidade social das classes dominantes, ou de exposição de novos materiais, como o ocorrido na Europa. Após levantamentos e sistematizações, nossa análise mostra que além de superação dos problemas acima referenciados, estes prédios também representam uma imagem desconhecida da morfologia urbana local, bem como, demonstram de que forma a morfologia da arquitetura é utilizada por agentes locais nas relações entre o capital privado e espaço formal da cidade. Concluímos, mostrando que tais relações só são perceptíveis, na medida em que ocorreu um excessivo emprego de edifícios-galeria. A construção desses edifícios subvertem a lógica formal de regulação do território, mostrando que a dinâmica urbana é complexa e permanente, superando um aparente esgotamento da mobilidade e do impedimento físico de construção de novos espaços públicos. Também, elas contribuem para a formação da "personalidade" da cidade, quando evidenciam uma diferença do espaço, dotando o lugar de um caráter próprio, o que nos faz sugerir que é um fenômeno de formação cultural, de entendimento do ideal e de construção material e social da centralidade para o cidadão local.

Como citar

FRANCIS ABDALLA, José Gustavo. A construção da centralidade: labirinto de galerias em Juiz de Fora. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.