Planejamento em Urubupungá: as vilas de Jupiá
Resumo
O setor de energia foi essencial para viabilizar o processo brasileiro de industrialização nas décadas de 50 e 60. O segundo governo Vargas e o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek destinaram grandes percentuais dos recursos de infra-estrutura para esse setor, foram capazes de angariar as principais forças políticas e financeiras do país e deram início às grandes obras brasileiras. A união de forças do governo federal e dos governos estaduais resultou na criação de diversas estatais destinadas à gestão dos empreendimentos da energia elétrica. Configurou-se um quadro muito favorável ao desenvolvimento dos grandes projetos, cujo legado são usinas hidrelétricas de grande porte, cidades novas planejadas, instalações de lazer de abrangência regional, acompanhados de grandes transformações na paisagem na escala territorial. Nesse momento, a participação de arquitetos no desenvolvimento de projetos para usinas hidrelétricas passou a ser uma prática corrente, porém pouco estudada. No estado de São Paulo, em 1951, foi constituído o DAEE - Departamento de Águas e Energia Elétrica do Governo do Estado, com objetivos claros de intervenção no setor de energia elétrica. No ano seguinte, foi criada a CIBPU - Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, para realizar os estudos regionais para a alocação das usinas hidrelétricas. A partir desses estudos, a região localizada no encontro dos rios Tietê e Paraná, na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, conhecida como Urubupungá, foi escolhida para a construção de três usinas hidrelétricas de grande porte: Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias (Jupiá), Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira e Usina Hidrelétrica Três Irmãos. Em 1961, a CIBPU deu origem a CELUSA – Centrais Elétricas de Urubupungá S.A., empresa estatal gestora do empreendimento. O Planejamento em Urubupungá, de autoria de Ernest Robert de Carvalho Mange e equipe, foi elaborado para atender à demanda habitacional proporcionada pela construção das usinas hidrelétricas e fez parte do planejamento regional conhecido como Complexo de Urubupungá. As Vilas de Jupiá são os núcleos urbanos construídos para os barrageiros e para os operadores da Usina Hidrelétrica de Jupiá, atualmente denominada Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias. A Vila Piloto, conhecida como Acampamento, foi projetada como uma cidade temporária e fechada, cujo plano apresentava conceituações da urbanística moderna. A cidade foi construída em dois anos, contava com equipamentos urbanos - escolas, hospital, centro de cultura e lazer, prefeitura, parques - e chegou a abrigar 15.000 pessoas. A experiência de Jupiá constitui o primeiro registro do planejamento da fixação de mão- de-obra para a construção de usinas hidrelétricas. As novas práticas urbanísticas e o desenho urbano moderno não foram utilizados apenas para transformar as cidades diante do intenso crescimento urbano causado pela industrialização. Foram utilizados para projetar e construir uma nova cidade, fechada e temporária, com equipamentos e infra-estrutura urbana completa, que abrigou profissionais da construção civil, do setor de energia elétrica, campos fundamentais para o processo de industrialização no Brasil.
Como citar
ARAÚJO, Cláudia Gomes de. Planejamento em Urubupungá: as vilas de Jupiá. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

