Vanguarda, utopia e realidade nos complexos industriais da Bahia moderna

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Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Este trabalho é um desdobramento dos estudos realizados para os Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano (PDDU) dos municípios bahianos de Simões Filho e Camaçarí, finalizados no início de 2001, financiados pelo Banco Mundial e Governo do Estado da Bahia através da SEPLANTEC/CAR e as Prefeituras Municipais de Simões Filho e Camaçarí, dentro do Programa de Administração Municipal e Desenvolvimento de Infra-estrutura Urbana - PRODUR. No processo de descentralização da economia brasileira dos anos '50, o Governo Kubitschek elabora um sistema de medidas e incentivos, coordenados na região nordestina pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e o Banco do Nordeste Brasileiro (BNB). No conjunto destas medidas destacam-se a proposta de um sistema de planejamento regional, a intervenção direta do governo federal sob forma de investimentos em infra-estrutura na região e um sistema de incentivos fiscais e financeiros com o objetivo de atrair capitais excedentes de outras regiões do país e do exterior para o Nordeste. A Bahia, que logo passou a receber a maior parte destes investimentos, concentrou esses fluxos no Recôncavo Baiano e na atual Macrorregião de Salvador, num processo de industrialização implementado desde os anos '50 e logo consolidado com a implantação do Centro Industrial de Aratu (CIA, 1966) e do Complexo Petroquímico de Camaçarí (COPEC, 1973). O CIA, como área planejada para atividades fabris, configurou-se como iniciativa pioneira no Brasil alavancada nos incentivos fiscais. O Plano Diretor do CIA, desenvolvido pelo escritório de Sérgio Bernardes no Rio de Janeiro, propõe a organização do espaço físico segundo um esquema racional-geométrico de definição de áreas industriais, superposto ao meio físico e à geomorfologia do local. Propõe também a construção de um novo Centro Administrativo (CAB) próximo ao novo acesso de Salvador, na prática um corolário de Brasília justificado como solução para a preservação do Centro Histórico. Já o COPEC corresponde a um novo marco no planejamento industrial, baseado em atividades de monopólio estatal através da exploração e refino do petróleo. O Plano Diretor do COPEC introduz inovações importantes respeito a questões ambientais e de desenvolvimento urbano-social, mas ainda apresenta ecos parciais e tardios do urbanismo modernista à luz das realizações em curso das propostas do CIA e no contexto de transformações que atingem a Região Metropolitana de Salvador (RMS). Apresenta-se aqui uma síntese comparativa de ambos projetos, seus arcabouços conceituais no que diz respeito à transposição de idéias do urbanismo modernista no Nordeste nos anos '60, as realizações efetivas no processo de ocupação e os ajustes e propostas posteriores visando equacionar o desenvolvimento das cidades nascidas em conseqüência da implementação de indústrias e serviços na RMS.

Como citar

HERNÁNDEZ MUÑOZ, Alejandra. Vanguarda, utopia e realidade nos complexos industriais da Bahia moderna. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.