Os arranha-céus de Belo Horizonte e a metrópole moderna
Resumo
O edifício alto e o processo de verticalização das grandes cidades do mundo sempre estiveram ligados a dois fatores prioritariamente: um de ordem econômica - a valorização e multiplicação da terra urbana; e outro de ordem simbólica – demonstração de progresso e modernidade de uma grande metrópole. Indubitavelmente a verticalização está ligada ao desenvolvimento econômico e a pressão de um mercado imobiliário que usa o espaço urbano como meio de reprodução do capital. No entanto, para a constituição de certas formas de processo produtivo, incluindo-se a produção imobiliária, existem condições gerais que não dependem unicamente do detentor de capital e sua forma de reproduzi-lo. O valor da terra urbana não existe em si, mas com o seu uso. Este uso é complexo e depende de elementos externos, que fogem em certa medida ao controle dos detentores do capital, como fatores simbólicos e estéticos. No caso do Brasil não acontece diferente, porém em alguns momentos esta imagem antecede ao fato concreto da metropolização da cidade, como em Belo Horizonte. Seu processo de verticalização se inicia antes do esgotamento de terras no centro da cidade e de sua condição sócio-econômica metropolitana. Algumas particularidades na formação e gestão da cidade serão responsáveis por essa inversão na ordem tradicional do processo, dentre elas a postura do poder público que cria condições estruturais e ideológicas que favorecem tais acontecimentos. É nos anos 30 que a cidade começa a se firmar como polo cultural e econômico do estado. Neste contexto surge o primeiro arranha- céu da cidade, o Ibaté (1935), suas linhas modernas já prenunciavam a tendência ao uso desta linguagem. Na década de 40, o processo de verticalização da capital mineira ganha impulso. Uma série de fatores concorrem para favorecer essa situação. Dentre elas pode-se destacar: a formação de um mercado imobiliário que demanda tais intervenções; a disseminação do morar moderno; o discurso modernizante reativado no imaginário da capital; a entrada da tecnologia do concreto armado nas construções belorizontinas; e a retomada da preocupação com a configuração da cidade moderna. Na década de 50 a condição metropolitana da cidade efetiva-se e o centro teve a maior produção de prédios altos em toda a sua história. O mercado imobiliário voltado para esse setor em Belo Horizonte cresceu e se consolidou. O arranha-céu torna-se um dos expoentes da modificação do espaço urbano da capital mineira. Prédios altos simbolizavam desenvolvimento, grande centro e modernidade, por trás disso, significavam também, especulação imobiliária, valorização da terra urbana, crescimento do mercado imobiliário. O discurso e a imagem antecipada de grande metrópole industrial abriram ainda mais espaço para um mercado em formação, fator fundamental para a expansão do capital econômico. O período abordado (1935-1960) foi o de maior produção de edifícios altos no centro da cidade (171 edificações). Quanto a composição plástica, as edificações, buscavam, desde a primeira obra, linhas modernas. As influências são variadas, interpretações das vertentes da arquitetura moderna que começam a ter lugar nas cidades brasileiras resultado de releituras feitas a partir dos grandes mestres do movimento, adquirindo expressões próprias em cada lugar. O trabalho busca, então, identificar estes elos entre poder público / mercado imobiliário, arquitetos e construtores, ideais, linguagens e concretizações modernas que deram suporte ao início deste processo na capital mineira e determinaram a imagem metropolitana da cidade.
Como citar
NERY, Juliana Cardoso. Os arranha-céus de Belo Horizonte e a metrópole moderna. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

