O Urbanismo Modernista na cidade do Rio de Janeiro
Resumo
A partir da década de 30, engenheiros e arquitetos, apoiados pelas duas visitas de Le Corbusier ao Rio de Janeiro, se encarregam de continuamente transferir e divulgar os ideais do urbanismo modernista sob a forma de textos ou propostas, em periódicos técnicos, em especial a Revista Municipal de Engenharia e a Revista do Clube de Engenharia. A tensão resultante da guerra que estava por acontecer na Europa faz com que os princípios modernistas sejam considerados os mais adequados para a segurança das cidades, o que também se reflete nos textos publicados. O Rio de Janeiro nesse momento apresenta problemas resultantes de uma infraestrutura inadequada para o setor industrial e um crescimento acelerado, pois a população havia passado de 1 158 000 habitantes em 1920 para 2 380 000 habitantes em 1930. A cidade acabava de ser objeto de um plano de embelezamento e remodelação de autoria de D. A. Agache, cuja conclusão coincide com a Revolução de 30 e também com a divulgação dos princípios modernistas. Na visão de Le Corbusier, enquanto o plano e o seu autor Agache apontam para o passado, o modernismo aponta para o futuro, permitindo que a cidade do Rio de Janeiro se desenvolva plenamente. Os ideais modernistas vão ganhando os quadros da Prefeitura do Distrito Federal, cujas propostas ao final da década de 30 já tentam se distanciar das propostas de D. A. Agache. O projeto da Avenida Presidente Vargas apresentado na XI Feira Internacional de Amostras de 1938 na cidade do Rio de Janeiro e posteriormente executado na década de 40 evidencia esse fato. O processo de concretização dos ideais do urbanismo modernista, entretanto, não se dá a curto prazo, o que nos permite compreender as dificuldades da passagem da escala da arquitetura para a escala do urbanismo. Por vezes, nos projetos os elementos modernistas se resumem a inúmeras edificações em pilotis dispostas em redentes com áreas livres, onde a arquitetura em série substitui o urbanismo. Por outro lado, a concretização de projetos urbanísticos requer a superação de contradições impostas pelo próprio ideário: a negação da antiga cidade e a busca pela centralização e verticalização. Nesse processo, o campo de trabalho do urbanismo anteriormente ocupado por engenheiros vai se orientar para o profissional arquiteto. Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy, entre outros arquitetos, estão presentes nas décadas de 30, 40, 50 e 60 com projetos e realizações como a Cidade Universitária, a Urbanização da Esplanada do Morro de Santo Antônio, o Aterro de Flamengo e o Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, projetos que demonstram as dificuldades e os ajustes necessários para que os princípios modernistas lograssem uma parcial realização.
Como citar
REZENDE, Vera Lucia Ferreira Motta. O Urbanismo Modernista na cidade do Rio de Janeiro. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

