Mutações, fluxos e metáforas de um ícone urbano
Resumo
O edifício do Ministério de Educação e Saúde, atual Palácio Capanema, realizado pela equipe de Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Carlos Leão e Jorge Machado Moreira, com a assesoria de Le Corbusier, já foi extensamente estudado e divulgado a nível mundial como ícone arquitetônico da Primeira Modernidade brasileira e latino-americana. As pesquisas desenvolvidas até agora, no entanto, se concentraram, principalmente, nas características formais e espaciais do prédio existente, no seu projeto e na proposta de Le Corbusier na praia de Santa Luzia. Baseada na documentação produzida nestes últimos anos, uma equipe de trabalho elaborou uma nova interpretação da significação urbana e arquitetônica do MES, na cidade do Rio de Janeiro reconstruindo, com as ferramentas fornecidas pela computação gráfica, a sua evolução no tempo e no espaço. Até agora, as precárias ilustrações e planos dos projetos elaborados para o concurso da sede do MES, não permitiam valorizar as particularidades das soluções apresentadas, tanto os tradicionais premiados como os modernos rejeitados. A pesquisa bibliográfica e iconográfica realizada abriu possibilidades novas para interpretações originais. A reconstrução em 3D destes projetos e da localização do edifício no quarteirão da Esplanada do Castelo, demonstram as contradições existentes entre as propostas que mantinham a estrutura clássica do plano Agache e aquelas que, adotando uma visão moderna de composição livre, rompiam com esse esquema. Da mesma forma ainda não foram detalhados o processo e as mutações desenvolvidas desde a primeira proposta elaborada pela equipe de projeto – a “Múmia” -, as sugestões e desenhos de Le Corbusier para os terrenos da Praia Santa Luzia e o quarteirão do Castelo, incluindo as diferentes versões do esquema definitivo, até o prédio concluído. A modelagem em 3D de cada uma das propostas, dos elementos urbanísticos e os detalhes arquitetônicos elaborados pela equipe, evidenciam uma seqüência de fatos, imagens, formas e espaços desconhecidos até agora. Foi um work in progress lento e laborioso, com marchas e contramarchas, com definições conceituais contraditórias, que finalmente deram origem à síntese do Ministério. Outro aspeto pouco conhecido é o relacionamento estabelecido entre o prédio e o contexto urbano e as ruas que definem o quarteirão do MES. Foram indicadas diferentes soluções para os acessos desde s ruas Araújo Porto Alegre e Graça Aranha, assim como vários traçados da rua Pedro Lessa, até a sua eliminação com a ampliação do volume baixo do prédio, na fase final da construção. Nesta dinâmica, os desenhos de Burle Marx para os jardins tiveram uma significativa importância. A reconstrução da Esplanada do Castelo e do espaço urbana da área central do Rio de Janeiro permite evidenciar a significação urbanística do MES e sua influencia nas mudanças introduzidas no plano Agache, em particular naquelas baseadas nas novas propostas elaboradas por Affonso Reidy, tanto para a Esplanada como para o Morro de Santo Antônio, e posteriormente, o Aterro de Flamengo. Este Rio moderno nasce com a organização espacial do MES, que libera o espaço do quarteirão com a utilização dos pilotis e permite a livre circulação dos pedestres, entre as formas curvilíneas dos jardins elaborados por Burle Marx. A malha regular clássica e cartesiana é substituída pela liberdade inventiva da modernidade.
Como citar
SEGRE, Roberto; BARKI, José; BORDE, Andréa de Lacerda Pessôa; KÓS, José Ripper. Mutações, fluxos e metáforas de um ícone urbano. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

