Arquitetura e sociedade em São Paulo 1956-1968
Resumo
O trabalho constitui-se em projeto de pesquisa desenvolvido para o curso de pós-graduação em nível de mestrado da FAUUSP. Tal projeto tem por objetivo efetuar uma leitura da arquitetura paulistana do período compreendido entre 1956 e 1968 do ponto de vista de sua produção social, atentando especialmente para a reconstituição do debate arquitetônico do período e as relações por ele estabelecidas com os processos de industrialização e urbanização então vivenciados pela cidade. Neste projeto de pesquisa, a aceleração do processo de modernização da arquitetura paulista no segundo pós-guerra é analisado do ponto de vista das transformações sociais, políticas e econômicas do país, das quais destaca-se a nova etapa do processo de industrialização implantada a partir do Estado Novo, por meio da adoção de um modelo de desenvolvimento caracterizado pela incorporação de processos produtivos e tecnologias desenvolvidas nos países previamente industrializados, e que perdura até fins da década de 1970. Modelo que, dentro do contexto marcado pela Guerra Fria, encontra formas de materialização tão diferentes quanto o nacional-desenvolvimentismo de JK e o desenvolvimento capitalista associado do “milagre econômico”. Tal processo histórico-social influi de maneira decisiva no debate e na produção arquitetônica paulistana das décadas de 1950 e 1960, constituída de propostas tão marcantes quanto singulares, como a residência Baeta (1956), o edifício Itália (1956 – 1965), a vila Serra do Navio (1955 – 1960) e o MASP (1957 – 1968), mas caracterizada também pelo impasse e diluição de seus pressupostos conceituais, em fins da década de 1960. A metodologia adotada para a realização do projeto parte das discussões sobre o conceito de história social de Lucien Febvre e Marc Bloch, enfocando a dicotomia entre a multiplicidade de enfoques e a multidisciplinariedade defendidas pela École des Analles e a concepção de uma história total por parte destes historiadores, para chegar a um método de trabalho que ultrapasse a mera contextualização da produção arquitetônica, considerando-a parte do processo histórico, e que preveja uma multiplicidade de abordagens que faça frente à diversidade de propostas mencionada, ao mesmo tempo em que retenha a visão global e dinâmica – não fragmentada – dos processos sociais. Tal atitude baseia-se nas relações entre a produção arquitetônica e o fenômeno de metropolização e industrialização da construção, ilustradas através de considerações – ainda extremamente preliminares – sobre a lei 5261/57 e seus efeitos sobre a tipologia dos edifícios de apartamentos em São Paulo, bem como sobre o caso dos edifícios modulares de Abrahão Sanovicz e a industrialização da construção tanto em termos de componentes e sistemas construtivos quanto em sua acepção mais ampla, relativa ao empresariamento da atividade de construção e à incorporação da ciência neste campo da produção.
Como citar
ALVES, André Augusto de Almeida. Arquitetura e sociedade em São Paulo 1956-1968. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

