Uma breve avaliação do início das relações da indústria e da arquitetura moderna no Brasil

p. 1-3

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

A atuação do arquiteto paulista Oswaldo Arthur Bratke abrange o período que vai da introdução ao auge da arquitetura moderna no país. Sua obra, vasta e abrangente, se funde com o próprio desenvolvimento da modernidade arquitetônica brasileira, permitindo através de sua análise trazer à tona seus paradigmas, dilemas, certezas e confrontos. As complexas relações da arquitetura com o desenvolvimento industrial constituem a grande preocupação das primeiras manifestações significativas da produção moderna: a Bauhaus, o livro Vers une Architecture e o primeiro CIAM. Discutir a real influência e/ou participação das questões produtivas da era máquina na estética de boa parte da produção artística do século XX é questionar os próprios princípios da arquitetura moderna. A compreensão da abrangência da arquitetura, vislumbrada na visão moderna da era industrial como um serviço que cubra corretamente um setor completo de suas exigências, implica também na qualidade construtiva própria das tecnologias avançadas. Contudo, o sucesso da maior parte de nossos edifícios modernos deve-se mais à sua representação simbólica do que ao grau de solução técnica alcançada. Se no resto do mundo também não foi como se esperava  total padronização e execução industrial, que permitisse um controle universal de toda e qualquer construção  aqui, sequer conseguimos atingir um padrão mínimo de qualidade e os métodos construtivos continuaram, por muito tempo, tão artesanais quanto nas construções de taipa, com o agravante de terem que expressar uma alta tecnologia, com rigoroso padrão executivo. Os problemas da relação entre os padrões técnicos e estéticos, enunciados pela primeira casa modernista de Warchavchik e mesmo pelo edifício do Ministério da Educação e Saúde da equipe carioca coordenada por Lúcio Costa, não só, persistiram como se agravaram com o distanciamento do mundo tecnológico e a manutenção de técnicas primitivas. Mesmo o meio arquitetônico paulistano, que apresentava condições mais adequadas para abraçar a arquitetura na sua plenitude: tradição de atuação de caráter mais empreendedor, aproximação aos setores produtivos, profissionais afinados com a prática da construção e estimulados com a chegada de profissionais estrangeiros com reconhecida experiência na área, e um setor produtivo local impulsionado para a indústria, não conseguiu estruturar uma ação consistente. Bratke, autor de cerca de 1500 projetos, que incluem de objetos a planos urbanísticos, teve uma relação muito próxima com a construção, inclusive conquistando a arquitetura moderna através da experiência prática através dos canteiros de obras. Ele sempre defendeu que a boa arquitetura implicava necessariamente na boa construção e desenvolveu sua poética baseada na simplificação dos processos construtivos e, portanto, passível de ser produzida em série com elementos padronizados e pré-fabricados. Responsável pela execução de obras de complexidade industrial, como os núcleos habitacionais do Amapá, para os quais projetou desde elementos construtivos a equipamentos domésticos, poderia ter detonado, se não fosse uma conjuntura nacional adversa, um processo de industrialização de proporções revolucionárias.

Como citar

CAMARGO, Mônica Junqueira de. Uma breve avaliação do início das relações da indústria e da arquitetura moderna no Brasil. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.