A modernidade arquitetônica das vilas operárias em Cataguases

p. 1-3

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Cataguases foi uma cidade que sofreu um rápido processo de industrialização nas primeiras décadas do século XX. A cidade passou de uma economia de base agrícola, com uma produção considerável de café, dentre os primeiros lugares para a Zona da Mata mineira, e entreposto da região em função da ferrovia que aí chegou em 1877, a uma economia de base industrial de uma forma tão decidida que não haveria mais retorno. As primeiras indústrias de porte que aí se instalaram já tinham a combinação necessária: a tecelagem e a produção de energia. A Companhia de Fiação e Tecelagem de Cataguases, posteriormente, Indústrias Irmãos Peixoto, seria o centro das atenções desde sua fundação em 1905. Logo depois, viria a Companhia Força e Luz Cataguases-Leopoldina em 1908 que seria parte fundamental da infra-estrutura necessária ao desenvolvimento dessa primeira iniciativa e a outras, paralelamente. Em função desse panorama, a cidade precisava se equipar para receber o contingente de operários para que essas iniciativas se viabilizassem. Assim, o setor de produção de moradias cresceu junto ao setor industrial em uma época em que a rentabilidade de aluguéis estava em alta. Esse novo setor tinha dois grandes investidores, ambos de iniciativa privada: o da própria indústria e o novo setor empresarial que emergia devido à situação local. O primeiro tentava resolver um problema imediato de seus funcionários enquanto que o segundo queria tirar vantagem financeira da situação. Tanto a iniciativa privada independente quanto a dos industriais tiveram duas opções para a tipologia formal: a linguagem tradicional do porta-e-janela, com inúmeros exemplares de correr de casas em novas ruas ou avenidas, ou ainda simplesmente casas geminadas, e uma linguagem mais modernizadora que deveria introduzir novos padrões correspondentes ao nível de progresso que a cidade alcançava. Tratando-se de um período que vai desde a década de vinte até os anos cinqüenta, o padrão “moderno” apresentou soluções diferentes. Aparentemente, houve também referenciais diferentes para grupos diferentes. A iniciativa industrial pretendia resolver o problema habitacional para funcionários de vários níveis e precisava dar uma imagem compatível com a hierarquia interna ao ambiente de trabalho. Já o setor de investidores do mercado imobiliário tinha preocupações mais voltadas para a rentabilidade do empreendimento. A importação de modelos tanto para os funcionários quanto para o simples operariado foi visível ao longo do período tratado, a princípio estranhos à região interiorana de Minas Gerais. Esse trabalho pretende investigar a apropriação de modelos que provavelmente se iniciam na idéia howardiana da cidade-jardim e mesmo das proposições de Unwin e Parker para o bairro- jardim até os modelos mais modernos propriamente ditos. A partir de uma análise dos modelos de habitação dessas classes mais populares, tentaremos averiguar o grau de modernização que ocorreu nesse período. A análise pretende abranger questões simbólicas na adoção de uma nova linguagem, da funcionalidade espacial, de questões construtivas e também do processo de modernização a partir da importação dos novos padrões que surgiam para a habitação urbana.

Como citar

CAMISASSA, Maria Marta dos Santos; CARLETTO, Marcione. A modernidade arquitetônica das vilas operárias em Cataguases. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.