Arquitetura verticalizada em São Paulo: a contribuição pioneira de Rino Levi

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Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

O presente trabalho pretende analisar as características da arquitetura verticalizada em São Paulo nas décadas de 1930 e 1940 – portanto, no período correspondente à emergência do Movimento Moderno no Brasil. Será apresentado um panorama dos edifícios em altura produzidos então, destacando, aí, os primeiros projetos de Rino Levi, como o Edifício Columbus, o Edifício Wancolle e o Edifício Higienópolis. Como se sabe, a possibilidade de realização de edifícios em altura depende de algum grau de industrialização da construção civil; entretanto, durante as décadas de 1930 e 1940, os avanços tecnológicos nessa área eram ainda muito incipientes entre nós. Afora a utilização rotineira do concreto armado - que se deu de forma absolutamente pouco criativa nesta fase, longe de qualquer tentativa de explorar as possibilidades plásticas do material -, poucas são as inovações nas técnicas e materiais construtivos empregados. Elevadores são, é claro, fundamentais; tem-se notícia da fábrica Atlas em funcionamento em 1939, em São Paulo. Lajes planas foram ensaiadas sem sucesso – como na casa da Rua Tomé de Souza, de Warchavchik – ou mesmo simuladas – como no Conjunto Residencial da Gamboa (RJ), do mesmo Warchavchik em parceria com Lúcio Costa. Assim, as coberturas são, invariavelmente, em telhados de estruturas de madeira tradicionais, cobertos com telhas francesas ou – mais raramente – em telhas onduladas Eternit. Os caixilhos eram, também, invariavelmente em ferro, basculantes ou de correr, feitos sob medida em serralherias tradicionais. No caso de edifícios residenciais, o mais usual era a utilização de caixilhos de madeira guarnecidos de venezianas tradicionais, de abrir. Mais raramente, aparecem as venezianas de enrolar. Não apenas os avanços construtivos eram incipientes, mas, principalmente, os projetos apresentam-se guiados pela lógica do mercado imobiliário e pelo imperativo do barateamento (não economia) da construção. A ocupação dos lotes é a máxima possível, independentemente de fatores como orientação e insolação; a hierarquia de fachadas é nítida; os pavimentos-tipo apresentam unidades heterogêneas e de soluções esdrúxulas quanto à circulação e funcionalidade; tudo isso agravado pela convencionalidade dos programas e irregularidade dos lotes de origem colonial. É neste contexto que os primeiros projetos verticalizados de Rino Levi – a rigor ainda não plenamente modernos - ganham importância. De fato, à primeira vista, obras como o Edifício Columbus (1932), o Edifício Wancolle (1934) e o Edifício Higienópolis (1936) dificilmente se destacam da arquitetura vertical corriqueira daqueles anos – contrastando visivelmente, por outro lado, com nosso festejado exemplar da arquitetura carioca, o Edifício Esther. Se analisarmos detalhadamente suas características, entretanto, percebe-se que o arquiteto encontra-se já claramente engajado em pesquisas funcionais e construtivas que o diferenciam dos profissionais seus contemporâneos, e que, poucos anos mais tarde, desabrocharão plenamente em obras consagradas como o Instituto Sedes Sapientiae e o Hotel Excelsior. Significativamente, este último chegou a ilustrar inúmeros anúncios de materiais e serviços ligados à construção civil publicados naqueles anos nas revistas de engenharia e arquitetura.

Como citar

BRESSAN PINHEIRO, Maria Lúcia. Arquitetura verticalizada em São Paulo: a contribuição pioneira de Rino Levi. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.