A pré-fabricação na arquitetura moderna em Pernambuco

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Na década de 20 do século passado não se discutia em Pernambuco a emergência da arquitetura moderna. O que se discutia era a necessidade de uma arquitetura brasileira para fazer frente ao estrangeirismo da arquitetura eclética. Esse brasileirismo chegou a se especificar em regionalismo por ocasião da realização no Recife, em 1926, do Congresso Regionalista, com a participação efetiva de intelectuais como Gilberto Freyre, Aníbal Fernandes e Nestor de Figueiredo. Nesse congresso até que se admitiu a possibilidade de as cidades serem reformadas para atender aos ditames do progresso mas a discussão sobre a arquitetura moderna não ocorreu. A vinda do arquiteto Luiz Nunes para o Recife, em 1934, para criar a Diretoria de Arquitetura e Construção, repartição pública estadual que projetou e executou obras que passaram a figurar na historiografia da arquitetura brasileira com pioneiras da arquitetura moderna no Brasil, é considerada como a origem da implantação dos ideais racionalistas na arquitetura em Pernambuco. Mas, neste Estado, desde 1927 já se discutia a arquitetura sem a preocupação com o estilo que deveria seguir, como sugeria o engenheiro Alde Sampaio, ao publicar na Revista do Boletim de Engenharia um artigo sobre a Casa Tropical, em que , com pretensões científicas, dissertava sobre as condições ideais de orientação dos edifícios. O racionalismo da nova arquitetura manifestou-se também no seu custo e, um ano antes da vinda de Luiz Nunes para o Recife já se anunciava nos jornais locais o sistema construtivo do Combogó, (elemento construtivo de cimento e areia, com 0,50m X 0,50m X 0,05m e orifícios de 0,05m X 0,05m). Esse elemento estaria presente em todas a obras da Diretoria de Arquitetura e Construção, como uma versão pernambucana do brise-soleil prefabricado, mas se tratava de uma invenção local adotada e desenvolvida pelo arquiteto mineiro. Anúncios de jornal anteriores à vinda de Luiz Nunes se referem ao combogó como um sistema construtivo que poderia ser utilizado até mesmo na construção de cinemas. Esse sistema seria patente de uma firma construtora; A.O.Coimbra & Cia. Esse elemento teria sido usado para a ereção de paredes e no lugar das janelas os seus orifícios seriam preenchidos, configurando-se assim, como um exemplo pioneiro de pre-fabricado em cimento e areia. Outros processos de racionalização da construção foram desenvolvidos por Luiz Nunes , e talvez mais por eles, e nem tanto pelo modernismo do estilo que daí resultou, a sua obra mereça ser melhor estudada. Na impossibilidade de fazer da arquitetura um produto industrial, introduzia-se na construção procedimentos de racionalização e uniformização característicos do processo industrial.

Como citar

SILVA, Geraldo Gomes da. A pré-fabricação na arquitetura moderna em Pernambuco. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.