Estática, ética e estética na Arquitetura Paulista Brutalista

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

A questão da ‘verdade estrutural’ foi assunto bastante debatido e de muita importância no meio cultural arquitetônico da arquitetura paulista de tendência brutalista. O tema tem conotações éticas e não se rrestringe ao quadro da arquitetura brasileira, pois trata-se de questão muito presente no ambiente arquitetônico internacional deses anos 1950-70; mas também inclui, embora esse ponto esteja ainda suficientemente estudado, um substrato estético e construtivo importante. A clareza estrutural e a adequação estática/estética no uso dos materiais parecem ser objetivos comuns compartilhados tanto pelas obras miesianas como pelas obras da arquitetura paulista brutalista. Igualmente estão presentes em ambos universos conceituais e projetuais a priorização da questão da racionalidade na formulação da estrutura, no uso dos materiais e no processo de construção, todos em amplo senso; enquanto a questão da forma, igualmente relevante para ambos, jamais tem precedência exclusiva. Além disso, tanto as obras miesianas como no brutalismo paulista investem na busca estética da homogeneidade, com reflexos na paleta restrita dos materiais empregados e na enfatização do caráter genérico em detrimento do caráter programático do edifício. Dessa maneira, a similaridade ou afinidade entre as arquiteturas miesianas e do brutalismo paulista, se talvez não configuram aproximações tão evidentes ao nível da forma, a um primeiro e desavisado olhar, certamente parecem existir, ao menos ao nível do método. Embora um olhar mais atento vá também verificar que algumas obras miesianas podem também ser indubitavelmente consideradas como precedentes notáveis de outras tantas obras da arquitetura brutalista paulista - desde que a análise considere-as relativamente abstraídas de suas qualidades acessórias, concentrando-se nas suas qualidades essenciais (como por exemplo na busca miesiana do bloco único – característica certamente presenta na arquitetura paulista brutalista). A compreensão dessa influência miesiana pode também ajudar a esclarecer a evidente derivação e mesmo divergência de enfoques de concepção e construção, no marco da escola paulista brutalista, em comparação com os pressupostos formais e construtivos da arquitetura brasileira da escola carioca; podendo-se mesmo afirmar que reside, nesta outra abordagem da questão da construção, uma das chaves para se compreender a formação da escola paulista brutalista enquanto tendência autônoma no panorama da arquitetura brasileira, a partir de meados dos anos 1950, com evidentes interações com o panorama de desenvolvimento tecnológico da construção civil. Este trabalho pretende analisar essas questões, verificando possíveis aproximações dessa arquitetura paulista brutalista com a obra e o pensamento miesiano.

Como citar

ZEIN, Ruth Verde. Estática, ética e estética na Arquitetura Paulista Brutalista. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.