Espaço como projeto social: a qualificação dos espaços nas residências projetadas por Vilanova Artigas
Resumo
No presente estudo, tem-se por objetivo a análise das relações entre o espaço público e privado, como entre o espaço coletivo e individual, nas residências projetadas por Vilanova Artigas, principalmente na definição do conceito de "pacto social". A pesquisa teve como objeto de estudo as seguintes residências: 1. Residência Olga Baeta (1956), São Paulo, SP; 2. Segunda residência José Mário Taques Bittencourt (1959), São Paulo, SP. O projeto da FAU-USP, como outros projeto de escolas, Artigas constitui com a cobertura pré- moldada um grande espaço aberto a todos os lados. Sob a sombra resultante o restante do projeto foi edificado. Como consequência dessa postura construtiva, optou pelo máximo aproveitamento do perfíl topográfico, utilizando amplamente as rampas. Artigas em tal pesquisa arquitetônica atendia aos ideais de coletividade, desenhando espaços contínuos, onde as funções destes eram definidas através de elementos de qualificação, e não mais pela fragmentação do espaço interno. A relação com o externo, no caso a cidade, também foi resolvida de forma contínua, intensificando assim a noção de espaço democrático. No entanto podemos perceber que Artigas manteve, através da graduação na continuidade dos espaços, uma definição clara da qualidade e uso de cada espaço, tanto na escala do edifício como na escala urbana. O entendimento do resgate da dimensão política no projeto talvez possa ocorrer justamente na compreenção das relações estabelecidas pelo arquiteto entre as esfereas próprias da arquitetura. Mais que uma relação entre a esferas próprias do espaço público - como clubes, escolas, palácios - a chave do procedimento estaria na verificação do tratamento que foi dado à relação entre os espaços que tem por definição a distinção. O espaço privado foi sempre definido como outro em relação ao espaço público. Com a expanção dos espaços, e uma suposta diluição dos limites, a relação entre o espaço público e privado teria que obrigatoriamente, ser revista dentro desses novos parâmetros de convívio social. Mais que um recorte tipológico, a abordagem dos projetos residenciais revelou-se necessária. Por definição, tais espaços sempre foram definidos como espaços privados. A definição das relações entre a residência e a cidade traduziria, então, o verdadeiro significado do "espaço como projeto social". A abordagem desses projetos revelou, ainda uma complexidade maior, no momento em que o projeto da residência tem que equacionar duas outras instâncias do projeto construído. Uma relacionada ao viver coletivo e outra relacionada ao viver individual. Assim os projetos de residências puderam ser caracterizados, mais que como o domínio do espaço privado, como o local das relações entre esferas distintas e, por conseqüência, local onde tornaram-se necessários os acordos sociais. Quando Artigas afirmou "as casas como as cidades, as cidades como as casas" (in: Arquitetura e Construção 1969), mais que definir a disolução das casa na cidade, estaria colocando a equivalência entre as duas escalas da ação do arquiteto. Assim o desenho das esferas do viver coletivo e do viver individual, presente em suas residências, estaria refletindo a construção do espaço público e do espaço privado, na escala urbana. Um novo desenho que, ao romper com as barreiras físicas, fundamentou-se numa proposta de acordo social necessário ao viver coletivo.
Como citar
CASTRAL, Paulo César. Espaço como projeto social: a qualificação dos espaços nas residências projetadas por Vilanova Artigas. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

