Arquitetura moderna em Manguinhos: memória e preservação

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

O conjunto arquitetônico da Fundação Oswaldo Cruz identificado como do período modernista compreende edifícios construídos principalmente nas décadas de 40 e 50, durante a gestão de Henrique Aragão (1942-1949), último diretor vitalício do ainda Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Deste conjunto, destaca-se a produção do Arquiteto Jorge Ferreira, cujos pavilhões do Restaurante Central (1948-1951) e de Cursos (1947-1951) foram tombados, em 1998, pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC), mas engloba também pavilhões de importância histórica, tanto para a arquitetura moderna carioca, quanto para esta importante instituição de saúde pública, de 100 anos recém completados. Nos primeiros vinte anos do Instituto Oswaldo Cruz, hoje Fundação Oswaldo Cruz, os principais projetos eram encomendados diretamente ao arquiteto português Luiz Moraes Jr., cuja maior produção engloba o período em que Oswaldo Cruz esteve na direção do instituto, de 1903 a 1917. A última grande participação de Moraes para o IOC foi em 1922, já na gestão de Carlos Chagas. Até meados da década de 30 nenhum grande projeto foi desenvolvido para o IOC. Este hiato na construção de novos pavilhões deveu-se, também, pelo fato de a estrutura de contratação de projetos arquitetônicos ter se profissionalizado. A partir da criação da Divisão de Obras do Ministério de Educação e Saúde, em 1934, todos os projetos de construção, ampliação e reforma nos imóveis cadastrados no patrimônio das instituições subordinados ao M.E.S., sendo o IOC um deles, tinha que obrigatoriamente ser desenvolvido pela Divisão. No de 1933 iniciou-se o projeto para construção da filial da Fundação Rockefeller no campus de Manguinhos, como parte de um acordo de cooperação internacional na área de saúde pública e saneamento. Apesar de não estar incluído nesta classificação, este pavilhão foi o primeiro a romper com a tradição construtiva em Manguinhos. A partir deste pavilhão, houve uma retomada de construções dentro da área do Instituto, mas foi no final da década de 40, que surgiram os mais significativos, reflexo não apenas da gestão de Aragão, mas também de Gustavo Capanema frente ao Ministério de Educação e Saúde. Como o tombamento dos pavilhões de Jorge Ferreira ocorreu apenas no final da década de 1990, muitas alterações indevidas foram realizadas, e em alguns casos, irreversíveis. O desafio do Departamento de Patrimônio Histórico da Fiocruz é, a longo prazo, restaurar estes pavilhões no que for possível, devolvendo a estes edifícios o valor de sua arquitetura.

Como citar

COSTA, Renato da Gama-Rosa. Arquitetura moderna em Manguinhos: memória e preservação. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.