Meu quarto, meu mundo: espaço doméstico na alvorada do terceiro milênio

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Este trabalho identifica um código “vernacular” de organização do espaço doméstico, e suas possíveis relações com os códigos típicos da arquitetura do Movimento Moderno. Por código “vernacular” entende-se uma determinada maneira de organização espacial, que não se encontra respaldada necessariamente pelo “saber profissional”. Também, tal código não se refere, exclusivamente, à população de mais baixo poder aquisitivo. Entretanto, mostra-se como este saber socialmente disseminado incorpora, em alguma medida, elementos do saber profissional “erudito”, enquanto, por outro lado, se contrapõe a ele. Isto revela a medida em que determinados elementos típicos da arquitetura moderna – fluidez espacial, por exemplo – encontram-se incorporados nas residências analisadas, enquanto uma forte dicotomia entre espaços de moradores, por um lado, e espaços de visitantes, por outro, ausentes nos princípios do Movimento Moderno, registram-se nestas residências. Nega-se também, nestas últimas, o estrito funcionalismo pelo qual se propõem dimensões informadas pelo conceito de existenzminimum. A pesquisa identificou também uma outra dicotomia que marca uma clara tendência recente: a clara divisão da casa em espaços de convívio (no caso, lugares como a cozinha) e espaços de reclusão individual, cada vez mais sofisticadamente equipados (como os quartos). Neste último caso, verifica-se também a negação de princípios modernistas, na medida da superposição de várias funções (descanso, lazer, trabalho), no mesmo espaço. Uma análise comparativa com outros momentos da evolução do espaço doméstico brasileiro, feito a partir de pesquisa bibliográfica, identificou tanto fortes permanências de longo prazo (como o espaço para visitas), como transformações mais recentes, que apontam para um novo genótipo, ainda que com fortes marcas culturais seculares. O universo empírico é constituído por residências unifamiliares do Distrito Federal, Brasil. Socialmente, investiga-se o espaço doméstico do estrato de classe média. Por razões operacionais, optou-se por investigar as residências habitadas por estudantes de arquitetura de vários cursos do DF.

Como citar

FRANÇA, Franciney Carreiro de. Meu quarto, meu mundo: espaço doméstico na alvorada do terceiro milênio. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.