Edifício fabril dos anos 50 em São Paulo: preservação e novos usos
Resumo
Nos anos 50, intensifica-se o processo de metropolização da cidade de São Paulo, que assume uma nova organização espacial em função dos crescimentos populacional e territorial urbano- regional e da intensificação das atividades produtivas. Um novo padrão econômico, social, político e, em certa medida, cultural, se instaura no país e os projetos de fábricas, antes importados e adaptados às condições locais, são solicitados aos arquitetos brasileiros envolvidos no Movimento Moderno. Enquanto na Europa o espaço de produção fabril é uma referência fundamental na constituição do ideário da arquitetura moderna; no Brasil, em função de sua industrialização tardia, a fábrica incorpora elementos da nova linguagem, num momento em que a arquitetura moderna encontra-se já consolidada. O artigo discute o papel dos edifícios fabris na caracterização do ambiente urbano em São Paulo nas décadas de 40, 50 e 60. Outro tema importante é o dos novos usos destes edifícios que perderam sua função original, seja pela incapacidade de atender às demandas dos novos paradigmas da produção, seja por decisões estratégicas referentes à sua inserção na trama urbana, mas que ainda preservam sua característica de referência na cidade, em função da sua escala, determinada pelas exigências do programa, ou do caráter de marco urbano, conferido pelo tratamento estético de elementos arquitetônicos, como torres, chaminés e caixas d’água. Se, por um lado, a reutilização destes edifícios é uma condição para o processo de requalificação e preservação da cidade contemporânea, por outro, a flexibilidade dos espaços internos, que originalmente respondia a demandas funcionais específicas, apresenta grandes possibilidades de reconversão funcional destas fábricas que, em São Paulo, vêm se transformando em centros culturais, universidades, fundações, bares, etc. A discussão sobre esta temática se reveste, assim, de importância fundamental para uma reflexão sobre o processo de requalificação de áreas degradadas da cidade contemporânea e de preservação da arquitetura moderna brasileira. Este trabalho é uma síntese da dissertação de mestrado desenvolvida junto ao Programa de Mestrado em Arquitetura da USP – São Carlos, e está vinculada ao Projeto Integrado de Pesquisa “Constituição da Arquitetura Moderna em São Paulo, 1930-1970”, do Grupo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo no Brasil (ArqBras).
Como citar
FRANCISCO, Arlete Maria; MARTINS, Carlos Alberto Ferreira. Edifício fabril dos anos 50 em São Paulo: preservação e novos usos. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

