Cria-se e projeta-se um museu: dois espaços arquitetônicos para o MAM baiano
Resumo
O que pretendemos apresentar, como um preâmbulo, é a beleza radical em pensamento e ação exposta pela arquiteta ítalo-brasileira, Lina Bo Bardi, no(s) projeto(s) de recuperação e restauração desenvolvidos em Salvador/BA, para o Museu de Arte Moderna, no início dos anos 60s. Tais trabalhos contribuem para novos pensares sobre o patrimônio arquitetônico e como se pode processar sua recuperação na contemporaneidade. Lina, ao assumir a direção do Museu de Arte Moderna, o M.A.M.B, desde a fundação, em janeiro de 1960, teve que enfrentar o provincianismo local e parte da imprensa, entre outros desafios. Embora, fossem esses, desafios a serem enfrentados, a implantação do M.A.M.B., segundo a arquiteta, era mais que necessário e válido, para não dizer preciso, porque Salvador era, para ela, a única cidade do Brasil com tradição cultural. Dos esforços voltados para a implementação desse projeto baiano, destacamos as seguintes participações: a Universidade da Bahia sob a reitoria de Edgard Santos, uma classe estudantil "tensa", bem como o grupo de companheiros, intelectuais – universitários - jornalistas - críticos - políticos - cineastas – artistas, aliados à efetivação desse singular movimento na História cultural da Bahia moderna: criar um Museu basicamente do nada e sem acervo, porém abrindo o Museu gratuitamente ao povo, procurando desenvolver ao máximo uma atividade didática. (Bo Bardi: 1967). No documento Cinco anos entre os ‘brancos’ (1967) a autora descreve a trajetória histórica do M.A.M.B., o seu primeiro espaço físico de funcionamento provisório – no superstite foyer ‘incendiado’ do Teatro Castro Alves. Estrategicamente, o Museu ocupa outros espaços, além do imenso vestíbulo da arquitetura moderna desse teatro, projetado por José Bina Fonyat, recém inaugurado, em julho de 1958 que, infelizmente, cinco dias após a sua inauguração incendiou-se. Assim, nesse espaço vitimado por um acidente, surge uma pedagogia museológica cultural (uma Escola de Desenho Industrial e Artesanato e a criação de um Museu de Arte Popular). Aqui, há a primeira de nossas paradas nesse estudo, uma forma moderna de uso dos espaços em uma arquitetura tipologicamente moderna. Entre 1962 e 1963, "um pulo" auspicioso converte teoria em práxis: a relocação do provisório Museu de Arte Moderna da Bahia, o M.A.M.B., localizado no Teatro Castro Alves, no Campo Grande, faz com que se desdobre em realidade o sonho de construir o poema de arquitetura ideal (verso de fábrica do poema de Wally Salomão), pois, a necessidade da reconstrução do Teatro incendiado, promovida pelos órgãos competentes, obriga a mudança do Museu. Será necessário, muito também, tecer nesta abordagem os procedimentos adotados por Lina para a restauração do conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, tombado nos anos 40 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o SPHAN e, posteriormente, em 1963, restaurado e transformado no Museu de Arte Popular do Unhão, pertencente ao Museu de Arte Moderna da Bahia.
Como citar
LAURENTIZ, Luiz Carlos de. Cria-se e projeta-se um museu: dois espaços arquitetônicos para o MAM baiano. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

