Arquitetura Moderna nos Trópicos: exemplos em Pernambuco

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Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

A participação de Pernambuco ou de pernambucanos na formação e consolidação da arquitetura moderna brasileira, data dos primeríssimos anos do modernismo do país. No Recife as discussões sobre a nova arquitetura recaiam sobre um problema básico; o clima tropical. A identidade da arquitetura não deveria apenas ter um caráter nacional mas, antes de tudo, regional. O clima era a justificativa primordial tanto para condenar a arquitetura eclética, criada para o homem europeu e seu clima frio, como para defender a criação de uma nova arquitetura que, além de responder as necessidades de um novo tempo, seria capaz de trazer o conforto climático, fundamental para a vida nos trópicos. É interessante notar que, embora a preocupação com o clima e com o homem do nordeste tenham sido o fator principal da defesa de uma arquitetura própria por técnicos, engenheiros e intelectuais pernambucanos no início do século, as primeiras soluções efetivamente construídas vieram de arquitetos migrantes ou estrangeiros. Entre 1934 e 37 tivemos o trabalho do DAC (Departamento de Arquitetura e Construção), chefiado pelo arquiteto mineiro Luís Nunes, cujos projetos além de concebidos com a linguagem moderna, apresentavam alguns dos primeiros artifícios para a adaptação da arquitetura moderna às condições climáticas de Pernambuco. Na produção arquitetônica no Recife nas décadas seguintes, é notado uma série de características recorrentes tanto nos textos dos arquitetos, como em seus próprios projetos arquitetônicos. Estas características indicam uma preocupação em adequar o projeto às condições climáticas da região que, em discurso referem-se claramente à busca por uma arquitetura moderna mais adequada aos trópicos e ao homem dos trópicos e formalmente, fazem uso de materiais e criam elementos que visam amenizar o calor dos ambientes. A arquitetura moderna no Recife tem nos anos 60 e 70 uma clara hegemonia. Além dos traços modernistas, a busca formal de elementos de adaptação climática é a característica dominante e que dá particularidade à arquitetura pernambucana. Embora com distintas manifestações formais, a aproximação dos métodos projetuais e da ideologia dos arquitetos atuantes em Pernambuco nas décadas de 60 e 70, apontam para referências semelhantes. Mas, até que ponto os elementos criados visando esta adaptação realmente funcionam? Foram válidos e suficientes os estudos realizados como base na formulação desses artifícios? E indo um pouco além, são mesmos os edifícios modernos edificados em Pernambuco adequados ao clima da região? Na tentativa de auxiliar à resposta destes questionamentos, foram levantadas informações sobre 138 edifícios construídos entre as décadas de 50, 60 e 70 na cidade do Recife. Deste universo, foram selecionados 67 obras para avaliação formal e sobre aspectos de conforto térmico e lumínico. A proposta deste trabalho foi não apenas apresentar um fichamento da arquitetura moderna pernambucana mas, avaliar a coerência entre o discurso modernista de uma arquitetura tropical e o real alcance de suas obras edifica.

Como citar

ABREU E LIMA, Daniele. Arquitetura Moderna nos Trópicos: exemplos em Pernambuco. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.