Dois projetos, dois arquitetos, duas palavras

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Durante a década de 1970, na ditadura militar e sob uma administração municipal da ARENA, partido governista, a cidade do Jahu na região central do Estado de São Paulo, passou por uma série de intervenções urbanísticas que transformaram uma estrutura urbana remanescente do início do século XX, implantada com o ciclo do café. Alguns arquitetos já consagrados no país foram chamados para tais transformações, em curso desde a década de 1950 Zenon Lotufo, Abelardo de Souza, Osvaldo Correa Gonçalves, Ícaro de Castro Mello, Carlos Barjas Millan, Carlos Cascaldi e João Batista Vilanova Artigas, este o mais famoso e contundente entre todos. Este quadro de arquitetos compreendia alguns dos maiores expoentes do Movimento Modernista da arquitetura no Brasil. Há razões determinantes que proporcionaram a presença de tais e tão renomados arquitetos modernistas em Jahu, entre as décadas de 1950 e 1970, porém apenas uma investigação mais aprofundada poderá esclarecer o desenrolar de fatos e suas implicações na construção de uma narrativa historiográfica que aborde tal ocorrência, o que definitivamente não cabe a esse trabalho. Interessa-nos aqui, abordar aspectos da linguagem arquitetural de dois arquitetos, num mesmo período, em duas obras semelhantes porém distintas. O trabalho concentrar-se-á na análise de dois edifícios construídos na década de 1970, no Jahu: o Paço Municipal do arquiteto Carlos Cascaldi, inaugurado em 1973; e a Rodoviária do arquiteto João Batista Vilanova Artigas, inaugurado em 1976, pelo General Ernesto Geisel, então Presidente da República Federativa do Brasil. Decididamente, há uma semelhança formal entre os dois edifícios níveis alternados, ligados por rampas, pé-direito livre central, continuidade espacial como também há uma proximidade conceitual, sendo projetos de dois representantes da chamada Escola Paulista. Porém há aspectos compositivos relevantes que as tornam duas obras caracteristicamente distintas entre si, expressando incisivamente dois modos diferentes de fazer e compreender a arquitetura. É justamente este o princípio da presente proposta de trabalho. Contudo antes de determo-nos nas obras e seus autores, é necessário entender a cidade, o sítio onde ocorreu esta arquitetura, por duas razões principais: a primeira, identificada com o conjunto de transformações empreendidas no espaço urbano jahuense nesse período, do qual as referidas obras constituem parte exponencial; a segunda, determinada por uma proximidade, no tempo e no espaço (distam apenas uma quadra entre si), e a extrema importância para a reestruturação da área central da cidade, remanescente da chamada cidade do café das primeiras décadas do século XX. Assim sendo, é preciso compreender historicamente o espaço, a formação e suas transformações no tempo, para que a leitura compositiva da arquitetura desses dois edifícios estudados, deixe de encará-los apenas enquanto dois objetos arquiteturais, para compreendê-los enquanto obras de arquitetura responsáveis por uma radical transformação do espaço urbano.

Como citar

MASSERAN, Paulo Roberto. Dois projetos, dois arquitetos, duas palavras. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.