Quando os ares modernos chegam à Esplanada: o IPASE e a Vila Ferroviária em Natal-RN
Resumo
Apresenta-se aqui um estudo sobre edificações modernistas construídas na Esplanada Silva Jardim, no bairro da Ribeira, em Natal-RN. Enfoque especial é dado ao Edifício Presidente Café Filho (IPASE) – uma das primeiras e mais imponentes obras com as características do movimento erigidas na cidade – e as casas padrão da Vila dos Ferroviários, ambos construídos na primeira metade da década de 50 do século XX e filiados às tendências modernistas em expansão no país. A despeito do destacado apelo arquitetural e do notório vanguardismo para a realidade local, tais obras estão comumente ausentes dos discursos preservacionistas e de conservação de exemplares modernos da cidade. A linha mestra do estudo compara as duas tipologias, edifício monumental e residência, suas diversidades e semelhanças, enfocadas a partir dos preceitos modernistas e do contexto que levou às suas definições, rebatendo para discussões acerca da penetração do movimento no país, principalmente na década de 50, e seus distintos alcances regionais e tipológicos. Resgata-se também o processo de transição das influências ecléticas a modernas na cidade, tomando por base as edificações citadas, singulares dentro do contexto arquitetural do bairro onde estão inseridas: a Ribeira, antigo centro comercial efervescente até princípios da década de 60, que hoje concentra o maior conjunto eclético de Natal, fruto de diversas tentativas de revitalização. Todavia, as variadas edificações modernas remanescentes, em especial nos eixos da Avenida Duque de Caxias e Esplanada Silva Jardim, permanecem à margem de tais investidas. Apesar da diversidade, as duas tipologias apresentam uma história de vanguarda e monumentalidade, sobressaindo-se na paisagem uma pelo volume vertical (IPASE) e a outra pela área utilizada para a implantação da Vila Ferroviária. Exigem-se portanto estudos que contribuam para o inventário de tal arquitetura de maneira que venha a embasar propostas de preservação das linhas características que tão bem os inserem dentro da vertente da arquitetura moderna brasileira. O estado atual de descaracterização da grande maioria das habitações da Vila Ferroviária ameaça em breve não mais se ter sequer um exemplar com as feições originais, perdendo-se por inteiro o senso de conjunto, hoje já profundamente alterado. O IPASE, por sua vez, sofre com a má conservação e com a substituição de materiais construtivos originais por outros sem a preocupação com a manutenção das características modernas da obra. As discussões versadas sobre os processos de regionalização da arquitetura moderna, suas diferentes adaptações, tecnologias e técnicas empregadas nas diversas cidades brasileiras, remetem a um olhar atento sobre como as faces do movimento foram se moldando e absorvendo as impressões locais, e de que maneira tal fato contribuiu para sedimentar sua consolidação enquanto movimento de ampla penetração no cenário brasileiro. Por outro lado, apesar dessa penetração, não parece haver ainda uma sólida consciência da necessidade de conservação de tais exemplares, muitas vezes absolutamente ausentes dos discursos preservacionistas, a exemplo das edificações estudadas em Natal-RN.
Como citar
MEDEIROS, Valério Augusto Soares de. Quando os ares modernos chegam à Esplanada: o IPASE e a Vila Ferroviária em Natal-RN. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.
Ficha catalográfica
4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.

