O desenho do espaço moderno: a arquitetura de Oscar Niemeyer

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Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

A proposta visa estudar a arquitetura de Oscar Niemeyer não apenas no que tange a questão da forma, mas também em situações em que sua arquitetura reinterpreta os pressupostos modernista, seja sob o aspecto da forma do objeto ou do espaço idealizado. Percebam que apesar da eminência plástica da arquitetura de Niemeyer, a maioria dos seus princípios projetuais pertencem a corrente racionalista da Arquitetura Moderna. Como ponto de partida, podemos analisar : Para quem Oscar Niemeyer projeta? Qual é esse homem? Tanto a arquitetura de Alvar Aalto quanto a de Frank Lloyd Wright prezam pela valorização do homem como indivíduo e primam por projetar o específico, o singular. Já o homem idealizado pela arquitetura de Niemeyer, possui os dois pés fincados na utopia modernista, mesmo que sua arquitetura, não em sua totalidade, não seja uma fiel representação da fisicalidade do objeto arquitetônico resultante dos pressupostos da era mecanicista. A análise da relação da arquitetura de Niemeyer com a paisagem nos faz perceber sua estreita relação com a Espacialidade Moderna. Tanto em Wright quanto em Aalto, percebemos que em seus projetos existe uma extrema preocupação com os aspectos locais da paisagem. Os projetos desses dois arquitetos não “pousam” na paisagem, mas sim, “nascem” dela, como se dela já fizessem parte. No que diz respeito com a relação com a paisagem, percebemos que a posição de Oscar é diametralmente oposta a de Wright. Wright projeta o Lugar, projeta a inserção corpórea do objeto à geografia, explora a máxima relação tátil que o objeto pode ter com a paisagem. A arquitetura de Niemeyer anseia pela paisagem neutra, pelo vazio, pelo plano horizontal infinito, isto é, Oscar, para situar suas obras necessita da mais pura e simples paisagem Miesiana, desenhando o espaço determinado por uma relação mínima, que reduz os objetos a índices espaciais, assim, o máximo de espaço corresponde ao mínimo de utilidade. Notem que a paisagem condiciona tanto o significado de Lugar estabelecido pela obra de Wright , como o significado de Espaço estabelecido pela obra de Niemeyer. E esses referenciais podem ser diagnosticados por uma análise da representação gráfica em perspectiva do objeto arquitetônico de ambos os arquitetos: A obra de Wright, por estabelecer uma relação mais intimista com a paisagem, com a topografia, enfim com o lugar, sempre será representada segundo as leis da perspectiva cônica, limitando a paisagem na instância do mensurável, do finito, porém conferindo-a um horizonte, instituindo o caráter de um Lugar. Ao contrário de Wright, Niemeyer representa suas obras no papel, não através do uso das leis da perspectiva cônica, e sim através das leis da Geometria Descritiva. O croqui de Oscar, representa o objeto arquitetônico em elevação, não há ponto de fuga, não há profundidade, há apenas o objeto pleno. Porém quando Niemeyer desenha um objeto em perspectiva se utiliza da técnica da perspectiva isométrica, aonde todas as linhas são paralelas, sem ponto de fuga, sem linha do horizonte. Através de seu desenho, observamos o objeto como se fosse uma maquete, dissociando-nos de qualquer relação tátil com o desenho. A curva de Niemeyer é tão essencial quanto a reta de Mies. A própria simplicidade e singeleza da forma, nos faz esquecer a pré - existência de um programa, mostrando-nos que a Técnica por si mesma, possa dar volume a uma imagem que é só um desenho, quase uma linha.

Como citar

QUEIROZ, Rodrigo Cristiano. O desenho do espaço moderno: a arquitetura de Oscar Niemeyer. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-3.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.