O alvo do olhar estrangeiro

p. 1-2

Capa dos anais

4º Seminário Docomomo Brasil, Viçosa, 2001

Resumo

Entre os anos quarenta e cinqüenta, são muitos os esforços para difundir internacionalmente a arquitetara moderna e, ao mesmo tempo, buscar exemplos alternativos de novas formas de utilização desse ideário, que pudessem ampliar e convalidar o movimento. Este é o caso da revista francesa L’Architecture d’Aujourd’hui, da inglesa Architectural Review e da italiana Casabella, todas com fortes vínculos com os CIAM. Também pode ser incluída nesse grupo a norte-americana Architectural Forum que, como tantas outras, está vinculada a uma entidade de representação profissional, instância regional que media as ações dos CIAM. Principalmente L’Architecture d’Aujourd’hui dá ampla cobertura a toda essa produção moderna em busca de uma expressão específica que a vincule ao lugar. São muitos os números monográficos dedicados a países situados fora da Europa, principalmente aqueles em que se destacam novas propostas plástico-formais, como Brasil e Tunísia. O Brasil se enquadra perfeitamente no perfil buscado: uma arquitetura eminentemente moderna, fiel aos princípios funcionalistas, que privilegia a proposta plástico-formal, propõe novos programas, viabiliza novos espaços e fala desde um lugar específico. Não descarta a tradição, mas também não se aferra a ela. Essa convivência tranqüila entre tradição e modernidade, essa maneira ousada de encarar o novo sem desrespeitar o existente, essa racionalidade tratada plasticamente de forma simples e original interessa particularmente a Architectural Review, que tem neste tema seu mais antigo objetivo, e, de certa forma, a Casabella, que vive internamente essa questão da conciliação do racionalismo moderno de caráter internacional com a arraigada tradição italiana. Da questão do futuro, da planificação e das formas modernas de uso dos espaços, nenhuma se compara a Architectural Forum, principalmente no que se refere à indústria da construção. Porém todas, sem exceção, têm suas antenas voltadas, por um lado, para a natureza e os mecanismos de controle que a privilegiam e, por outro, para o crescimento e desenvolvimento das cidades. Os articulistas dessas revistas, em sua maioria arquitetos, como Gropius, Le Corbusier, Giedion, Bloc, Persitz, Rogers e Woodward-Smith, desde pontos de vista bastante distintos, travam interessantes debates sobre o significado dessa nova forma de ver o mundo, organizar os espaços e resolver os problemas propostos, atendendo a novos programas e a demandas específicas relacionadas ao clima, a natureza, ao território ou aos costumes das diversas regiões do país. E esses debates intensificam-se quando se referem ao “êxito” da arquitetura e ao “descaso” com que são tratadas as cidades brasileiras. Esse “olhar estrangeiro”, que dominou a crítica à arquitetura brasileira praticamente até o final dos anos oitenta, lançou luzes sobre os mecanismos de controle climático e o caráter “plástico e sensual” dessa produção, mas deu pouca atenção a uma característica importante, apontada rapidamente por Hitchcock e mencionada por Goodwin, seu “caráter aberto” que, ainda que tenha em Wright o modelo, se configura como uma forma nova e particular de uso do espaço.

Como citar

TINEM, Nelci. O alvo do olhar estrangeiro. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 4., 2001, Viçosa. Anais [...]. Viçosa: UFV, 2001. p. 1-2.

Ficha catalográfica

4º Seminário Docomomo Brasil: anais: a Arquitetura moderna brasileira e os processos regionais de industrialização [recurso eletrônico] / organização: Maria Marta Camisassa. Viçosa: UFV, 2001.