Edifício Louveira
Resumo
Em meados do século XX a cidade de São Paulo experimentou, além de intenso crescimento e industrialização, radical reestruturação urbana, com a implantação de uma nova estrutura viária e amplas transformações no ambiente construído, com destaque para a verticalização intensiva da área central. Nas décadas de 1930 e 1940, quando se inauguravam as propostas modernistas no país, construíram-se edifícios pioneiros em termos de sistema construtivo, tipologia e linguagem. Tal verticalização, antes restrita ao uso terciário e ao centro histórico, atingiu bairros circunvizinhos como Higienópolis, num momento em que dispositivos legais preconizavam edifícios residenciais com recuos frontais e áreas livres no terreno, assegurando insolação e ventilação aos apartamentos. O Edifício Louveira, projetado por Vilanova Artigas, inovou ao trazer à cidade avanços da Arquitetura Moderna Brasileira, interpretando ensinamentos corbusianos e da “escola carioca”, bem como ao contribuir com ousada intervenção urbana, ao implantar entre dois blocos paralelos um espaço semi-público como local de convívio e prolongamento da praça lindeira. Os blocos possuem sete e oito andares, singularmente implantados em um terreno de esquina. Em vez de ter sua fachada principal voltada para a entrada, acompanham o alinhamento da rua lateral, com esguias empenas cegas voltadas para a Praça Vilaboim; entre eles surge um pátio ajardinado cortado por rampa curva, servindo como acesso e "praça" interna. Tombado e bem conservado, destaca-se ainda hoje, por sua inserção cuidadosa e diálogo com o entorno, como exemplo da contribuição possível do nosso acervo de arquitetura moderna na requalificação da cidade.
Palavras-chave
Abstract
During the mid-20th century the city of São Paulo experienced, along with intense growth and industrialization, radical urban restructuring, featuring a new road network and large-scale transformations in the built environment, in which intensive vertical occupation of the central districts played a major part. The 1930s and 1940s - when modernist propositions were being introduced in Brazilian architecture - witnessed the creation of buildings with pioneering structural, typological, and esthetic innovations. Verticalization, formerly restricted to commercial buildings in the historic city core, reached adjacent residential areas such as Higienópolis, in a moment when legislation required that apartament buildings should have frontal setbacks and provide free spaces inside the plot, in order to ensure adequate insolation and ventilation. The Louveira building, designed by Vilanova Artigas, brought to São Paulo innovations that characterized Brazilian Modern Architecture, translating its corbusian principles and the lesson of Rio de Janeiro architects, as well as contributing with a bold urban intervention: two parallel blocks create a semi-public space for dwellers that works as an extension of the adjoining square. With seven and eight stories each, the blocks have a singular disposition in a corner plot. Instead of having their main elevation face the entrance, they were aligned with the lateral street, turning the slim, windowless lateral elevations towards the square, and creating a green open space between them, crossed by a curved ramp, providing access and an internal "square". Now a well-preserved, listed historic building, it still merits attention: due to careful urban insertion and dialogue with its surroundings, it exemplifies the possible contribution of our modern architectural heritage towards urban requalification.
Keywords
Como citar
GALESI, René; CAMPOS, Candido Malta. Edifício Louveira. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 5., 2003, São Carlos. Anais [...]. São Carlos: SAP-EESC-USP, 2003. ISBN 85-85205-43-1. DOI: 10.5281/zenodo.19072268.
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Ficha catalográfica
Anais do 5º Seminário Docomomo Brasil [arquivo de computador] / comissão organizadora: Hugo Segawa... [et al.]. São Carlos: SAP-EESC-USP, 2003. 1 CD-ROM. "Arquitetura e Urbanismo modernos: projeto e preservação". ISBN 85-85205-43-1

