Ideologia moderna de uma civilização do projeto
Resumo
As idéias aqui apresentadas pretendem discutir a inserção dos arquitetos, como ideólogos do habitar, em nossa sociedade contemporânea a partir de sua prática de projeto. Nesta prática cada vez mais interagem atores e intermediações diferenciadas, fazendo do projeto um processo inserido num contexto social concreto. Dentro destas interações os conceitos, civilização e modernidade cumprem um papel relevante, que precisa ser discutido, construído e aprimorado constantemente. O movimento moderno nacional possuía uma construção ideológica destas duas premissas – civilização e modernidade – que foi capaz de conformar um projeto coletivo. As discussões travadas na academia, nos escritórios de arquitetura, na produção ideológica da própria cidade interagiram com a cultura geral do construir no Brasil, com a cidade genérica e anônima que então se expandia. Em nossa atual condição de país urbano é absolutamente prioritário voltar a discutir os conceitos de modernidade e civilização para promover uma nova conciliação da sociedade em torno da questão de seu habitat. Neste presente os papéis desempenhados tanto pela modernidade, quanto pela civilização parecem variar de uma maneira que pretende reinstituir uma impossibilidade de antevisão do futuro. A discussão dos significados de moderno e civilização assumem um papel fundamental neste contexto, capaz de fazer retornar arquitetos e urbanistas a uma atitude ao mesmo tempo crítica e operativa, capaz de influir sobre um campo tão vasto como o habitar humano, de forma a promover a reversão do quadro de desalento e ao mesmo tempo contaminar a cidade genérica e impessoal. Não basta apenas criticar, mas também operar uma crítica que demonstre a viabilidade da civilização humana sobre o país. O arquiteto precisa ao mesmo tempo demonstrar precisão/adequação à realidade, mas principalmente capacidade de contaminar as mentalidades mais diversas para um projeto de futuro.
Palavras-chave
Abstract
The ideas here presented intend to discuss the architects insert, as ideologists of inhabiting, in our contemporary society starting from his project practice. In this practice actors and differentiated intermediations interact more and more, doing a process of the project inserted in a concrete social context. Inside of these interactions the concepts of civilization and modernity accomplish a relevant paper, that needs to be discussed, built and constantly perfected. The national modern movement possessed an ideological construction of these two premises civilization and modernity - that was capable to conform a collective project. The discussions locked in the academy, in the architecture offices, in the ideological production of the own city they interacted with the general knowledge of building in Brazil, with the generic and anonymous city that then expanded. In our current condition of urban country it is quite priority discuss the modernity concepts and civilization to promote a new conciliation of the society around the subject of his habitat again. In this present the papers carried out so much by the modernity, as for the civilization they seem to vary in a way that intends an impossibility of the future. The discussion of the meanings of modern and civilization assumes a fundamental paper in this context, capable to do the return architects and town planners at the same time to an attitude critic and operative, capable to influence on a field as vast as inhabiting human, in way to promote the reversion of the discouragement picture and at the same time to contaminate the generic and impersonal city. It just is not enough to criticize, but also to operate a critic that demonstrates the viability of the human civilization on the country. The architect needs at the same time to demonstrate accuracy/appropriate to the reality, but mainly capacity to contaminate the most several mentalities for a future project.
Como citar
MOREIRA, Pedro da Luz. Ideologia moderna de uma civilização do projeto. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 6., 2005, Niterói. Anais [...]. Niterói: UFF, 2005. ISBN 85-99618-01-6. DOI: 10.5281/zenodo.19072497.
Referências
- BOBBIO, Norberto, MATTEUCCI, Nicola e PASQUINO, Gianfranco – Dicionário de Política Brasília editora da UNB
- CHAUÍ, Marilena de Souza – O que é ideologia – editora brasiliense São Paulo 1980
- COUTINHO, Carlos Nelson - Gramsci um estudo sobre seu pensamento político – editora Campus Rio de Janeiro 1989
- ELIAS, Norbert – O processo Civilizador – Jorge Zahar editora Rio de Janeiro 1993
- FRANÇA, José Augusto - Uma cidade das luzes: A Lisboa de Pombal - editora Presença Lisboa 1989
- GIDDENS, Anthony – As conseqüências da Modernidade – editora Unesp 1991 São Paulo
- GRAMSCI, Antonio – Cadernos do Cárcere volume 4 – editora civilização brasileira Rio de Janeiro 2001
- HARDT, Michael e NEGRI, Antonio – Império – editora Record Rio de Janeiro 2001
- HOUAISS, Antonio – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – Editora Objetiva 2001 Rio de Janeiro
- JAMESON, Frederic – Modernidade Singular, Ensaio sobre a ontologia do presente – Editora civilização brasileira 2005 Rio de Janeiro, tradução VALENTE, Roberto Franco do original A singular modernity – Essay on the Ontology of the present
- KANT, Imanuel – Idéias sobre uma história universal, do ponto de vista de um cidadão do mundo – editora brasiliense São Paulo 1986
- KONDER, Leandro – A Questão da Ideologia – São Paulo 2002 Editora Compania das Letras
- MÉSZÁROS, Istvan – O poder da ideologia – tradução Paulo Cézar Castanheira São Paulo Boitempo editorial 2004
- MOREIRA, Pedro da Luz - Belo Horizonte 100 anos da Construção de uma Tradição Moderna - Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Programa de Pós-graduação em Urbanismo, FAU/UFRJ, 1999
- NEGRI, Antonio – Exílio seguido de valor e afeto – Editora Iluminuras 2001 São Paulo
- ROUANET, Sérgio Paulo – As razões do iluminismo – Companhia das Letras 1987 São Paulo
- TAFURI, Manfredo – Historia e Teorias da Arquitetura - Editorial Presença Lisboa
- TAFURI, Manfredo – Projeto e Utopia arquitetura e desenvolvimento do capitalismo – Editorial Presença Lisboa 1985
- WOLF, Francis – Quem é Bárbaro? – Seminário Barbárie e Civilização organizado por NOVAES, Adauto companhia das letras São Paulo 2004
Ficha catalográfica
6º Seminário Docomomo Brasil: anais: moderno e nacional, Arquitetura e Urbanismo [recurso eletrônico] / organização: José Pessôa, Eduardo Vasconcellos, Elisabete Reis, Maria Lobo. Niterói: Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, UFF, 2005. ISBN 85-99618-01-6

