Arte e arquitetura moderna na obra de Luís Fernando Corona em Porto Alegre

p. 1-18

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19072796

Resumo

Introdução Tendo atuado entre 1950 e 1977, o arquiteto Luís Fernando Corona (1923-77) deixou uma obra pouco numerosa, cuja importância ainda precisa ser afirmada no contexto da modernidade gaúcha. Formado em 1950 na capital gaúcha, Corona participou desde cedo do esforço pela afirmação da arquitetura moderna na cidade. Autor de muitas residências, ele é responsável por três importantes edifícios em altura no centro de Porto Alegre: o edifício Jaguaribe (1951), a sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (Palácio da Justiça, 1952) e a sede da Companhia Rio-grandense de Telecomunicações (CRT, 1964). O fato de Luís Fernando Corona ter assinado estas obras em co-autoria dissimula o papel fundamental que teve em sua concepção, comprovado pela presença dos temas que caracterizam sua produção individual e por testemunhos de colegas. Filho do espanhol Fernando Corona (1895-1979), escultor e arquiteto autodidata de produção importante em Porto Alegre, Luís Fernando herdou o pendor artístico do pai. Contudo, esta herança se manifestou em termos da manipulação artística de elementos arquitetônicos. Em suas fachadas se percebe a idéia da composição artística por meio do emprego de muros e faixas com diferentes texturas, revestimentos ou cores, da exploração dos elementos vazados e fenestração seriada e do uso de superfícies em recesso ou ressalto animando tridimensionalmente a configuração dos volumes. Edifício Jaguaribe A história do Edifício Jaguaribe inicia com a compra do terreno localizado na esquina da Avenida Salgado Filho com a Rua Vigário José Inácio, no centro de Porto Alegre. O empresário Romeu Pianca e sua filha, Malvina Pianca, desejavam construir um edifício residencial para a classe média alta de Porto Alegre, conjugado a um cinema de luxo. O projeto do empreendimento da firma M. Pianca foi confiado a um amigo de Romeu, o arquiteto Fernando Corona, que por sua vez convidou seu filho, Luís Fernando Corona, para participar do trabalho. A primeira perspectiva do edifício foi publicada no Jornal Correio do Povo de 9 de agosto de 1951 sob o anúncio do “Alteroso Edifício Jaguaribe” com 20 andares (um dos maiores edifícios da capital), a ser construído pelo engenheiro Paulo Ricardo Levacov. O empreendimento possuía um subsolo com estacionamento para quarenta carros e uma base comercial onde se destacava o luxuoso Cinema São João, com 2.000 poltronas estofadas. No térreo, bar e confeitaria atendiam ao foyer do cinema e no segundo pavimento, uma grande confeitaria atendia ao público em geral. O projeto previa ainda um grande restaurante ou clube no 9º pavimento, completamente envidraçado, possibilitando total visibilidade sobre a cidade. Para o 21º andar era anunciado um playground com ambientes cobertos por marquises e jardim para a recreação dos condôminos.

Palavras-chave

Como citar

PEREIRA, Cláudio Calovi; SZEKUT, Alessandra Rambo. Arte e arquitetura moderna na obra de Luís Fernando Corona em Porto Alegre. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-18. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19072796.

Referências

  • ALVAREZ, Cícero. Palácio da Justiça de Porto Alegre (dissertação de mestrado). Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2008.
  • CALOVI PEREIRA, Cláudio. Os irmãos Roberto e a arquitetura moderna no Rio de Janeiro (1936- 1945). (dissertação de mestrado). Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 1993.
  • CALOVI PEREIRA, Cláudio. “Transparência e permeabilidade: diálogos entre tradição e modernidade nos pisos térreos dos Irmãos Roberto no centro do Rio de Janeiro” (1936-1952). In: Cadernos de arquitetura Ritter dos Reis, Vol. 5 (2007), p. 93-113.
  • LUCCAS, Luis Henrique Haas. Arquitetura moderna brasileira em Porto Alegre (tese de doutorado). Porto Alegre: PROPAR/UFRGS, 2004.
  • SZEKUT, Alessandra. Vertentes da modernidade no Rio Grande do Sul: a obra do arquiteto Luis Fernando Corona (dissertação de mestrado). Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2008.
  • XAVIER, Alberto e MIZOGUCHI, Ivan. Arquitetura moderna em Porto Alegre. São Paulo: FAUFRGS/Editora Pini, 1987.

Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4