Arquitetura, historiografia e história operativa nos anos 1960

p. 1-20

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19072798

Resumo

A crise do movimento moderno no pos-guerra e também uma crise de representação no campo historiográfico. Reproposições genealógicas, novas angulações criticas e conceituais como as que despontam em livros como Storia dell’Architettura Moderna de Bruno Zevi (1950), ou Theory and Design in the First Machine Age de Reyner Banham (1960), deixam entrever um debate em gestação acerca do lugar da historia no projeto contemporâneo. Esse debate intensifica-se institucionalmente na década de 1960, com as varias reformas pedagógicas que se desenrolam em escolas de arquitetura mundo afora, de Princeton a Roma, de São Paulo a Moscou, de perto incentivadas pelas discussões acaloradas no âmbito de periódicos, encontros e conferencias que reuniriam, entre outros, historiadores da importância de Siegfried Giedion, Nikolaus Pevsner, Peter Collins, John Summerson, Zevi, Banham etc. Uma das questões fundamentais em que essa geração de historiadores, críticos e professores de arquitetura se detem diz respeito ao papel operativo que a pesquisa e o ensino de historia deveriam assumir no campo disciplinar. Tratava-se ao mesmo tempo de se contrapor aos postulados e pedagogias anti-históricas do Movimento Moderno sem recair na disciplina historicista acadêmica. Esse texto pretende refletir sobre a constituição e os limites críticos da idéia operativa nos anos 1960 a partir de uma revisão de publicações contemporâneas, editoriais, artigos, livros e anais de congressos. Tendo em vista as perspectivas historiográficas internacionais, tentarei esboçar algumas questões acerca das eventuais ressonâncias e resistências desse debate no ensino de historia da arquitetura no Brasil. O objetivo aqui e repensar esse momento paradigmático da historia da historia da arquitetura por meio de algumas proposições recentes acerca das relações entre uma historia da arquitetura como historia do presente e um projeto concebido como uma pratica preenchida de sentido histórico-critico.

Palavras-chave

Abstract

Post-war crisis in the Modern Movement is also a crisis of representation within the historiographical field. Genealogical reassessments, new critical approaches and conceptual biases found in books such as Bruno Zevi’s Storia dell’ Architettura Moderna (1950) or Reyner Banham’ s Theory and Design in the First Machine Age (1960), reveal the emerging debate upon the place of history in contemporary design. This debate is institutionally strengthened during the 1960s, with the various pedagogical reforms taken place in architecture schools all over the world, from Princeton to Rome, from Sao Paulo to Moscow, certainly stimulated by scholarly discussions held in architectural journals, meetings and conferences, gathering historians such as Siegfried Giedion, Nikolaus Pevsner, John Summerson, Peter Collins, Zevi, Banham and others. One of the main issues addressed by this generation of architectural historians and critics referred to the operative role of historical research and teaching within the disciplinary field. It was both necessary to contrast the anti-historical assumptions and pedagogies of the Modern Movement and the academic historicism. This paper intends to raise some questions about the constitution and critical limits of this operative idea during the 1960s through a re-examination of contemporary publications, journal editorials, articles, books and conference proceedings. In face of international prospects, I’ll try to outline a few questions about this debate’s echoing and obstructions within the architectural history teaching traditions in Brazil. The major goal here is go over this paradigmatic moment of the history of architectural history through recent crossquestioning of the relations between history seen as a history of the present, and design as a kind of practice filled with critical-historical perspective.

Keywords

Como citar

LIRA, José Tavares Correia de. Arquitetura, historiografia e história operativa nos anos 1960. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-20. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19072798.

Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4