Construindo consensos: a obra de Burle Marx na V Bienal de São Paulo

p. 1-9

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19072909

Resumo

A última bienal dos anos 1950 prestou homenagem a seis mestres da arquitetura internacional. Organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a seção especial de arquitetura apresentou projetos de Antonio Gaudi, Henry van de Velde, Mies van der Rohe, Philippe Wolfers e Victor Horta. Roberto Burle Marx foi o único brasileiro participante. A Sala Especial Burle Marx apresentou 16 trabalhos, tendo como ponto de partida o Parque del Este e os jardins de cinco residências na capital venezuelana. Também foram expostos os projetos paisagísticos de instituições situadas no Rio de Janeiro e de seis residências no Rio e em São Paulo. Somam-se dois trabalhos de arte mural, realizados para unidades fabris no interior de São Paulo. Bruno Zevi, no Catálogo da V Bienal de São Paulo (1959), atribuiu ao homenageado a capacidade de reinventar a paisagem, por meio da integração entre a obra artística, arquitetônica e paisagística. Tendo como mote as considerações de Zevi, esta comunicação pretende discutir de que maneira a participação de Burle Marx constituiu oportunidade para legitimar nossas especificidades culturais, em contraposição aos ataques lançados por Max Bill em 1953, largamente repercutidos pela crítica. Muito além de apontar um hipotético descompromisso social da arquitetura brasileira e um formalismo supostamente excessivo, os ataques de Max Bill tornaram-se questão de difícil aceitação pela classe arquitetônica local. Tal afirmação pode ser sustentada na medida em que o suíço questionava as conquistas de nossos principais arquitetos, a exemplo de Oscar Niemeyer, alvo das mais contundentes críticas. Em outras palavras, a comunicação propõe discutir de que maneira a Sala Especial Burle Marx contribuiu para consagrar à grande a arquitetura brasileira e, de quebra, uma peculiar trajetória, pautada no transpor de fronteiras, sob o signo da síntese e da integração das artes.

Palavras-chave

Abstract

The last biennial from the fifties paid homage to six architects of world recognition. Organized by the Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e by the Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), the special architecture show exhibited projects from Antonio Gaudi, Henry van de Velde, Mies van der Rohe, Philippe Wolfers and Victor Horta. Only Roberto Burle Marx was there representing Brazil. The Burle Marx Room presented 16 works, such as the projects made for Parque del Este and for five houses in Caracas. It was also exhibited the landscape designs proposed for two institutions in Rio de Janeiro and for six houses in Rio and São Paulo. The room also exhibited panel works created for two industries in São Paulo. Bruno Zevi, in the catalog of the 5th Biennial (1959), considered Burle Marx capable of re-creating the natural scenery, through integration of art, architecture and landscape. Taking into account his ideas, this communication aims to investigate the significance of Burle Marx´s presence in the exhibition. Besides that, it wants to discuss how his work answers Max Bill's severe judgment about Brazilian architecture, made in 1953 and for a long time corroborated by the media. The attacks of Max Bill, far beyond of pointing out a supposed lack of social compromise of the Brazilian architecture, and its extreme formalism, had became a difficult question to overcome. This statement can be sustained as Max Bill confronted our leaders, such as Oscar Niemeyer, who became the main target of criticism. In other words, this communication wants to discuss how Burle Marx's show encouraged new standards for modernity, reassuring our cultural singularities and contributing to consecrate a peculiar career, which had a special aim: the affirmation of the discipline, through the sign of the synthesis and integration of arts.

Keywords

Como citar

HERBST, Helio. Construindo consensos: a obra de Burle Marx na V Bienal de São Paulo. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-9. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19072909.

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4