Agência Metropolitana de correios de Tóquio e Osaka: dificuldades na conservação do Patrimônio Moderno dentro do contexto urbano japonês

p. 1-14

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19072967

Resumo

Este estudo tem por objetivo discutir as dificuldades enfrentadas na preservação de prédios considerados patrimônio histórico moderno que se encontram em áreas metropolitanas no Japão. Examinaremos os casos dos prédios da companhia de correios em Tókio e Osaka. Primeiro analisaremos os prédios dentro do contexto histórico social e sua linguagem arquitetônica. Depois explicaremos brevemente as leis de conservação do patrimônio histórico no Japão e veremos as dificuldades encontradas na conservação do patrimônio histórico de linguagem moderna, focalizando no caso das estações centrais de correio de Tókio e Osaka. Por fim discutiremos sobre a importância da opinião pública na conservação do patrimônio moderno dentro do contexto urbano Japonês. O prédio central de correios de Tókio (1931) localiza-se em frente à estação ferroviária de Tókio, e o prédio da central de correios de Osaka (1939) encontra-se ao lado da estação ferroviária de Osaka. Estes são projetos do arquiteto Tetsuro Yoshida (1894-1956), e se encontram em áreas super urbanizadas. Ambos os prédios foram pioneiros em usar a linguagem arquitetônica moderna, esteticamente exerceram de grande influência na arquitetura Japonesa, e são considerados pelo ministério da cultura como patrimônio de valor histórico e cultural. Devido à privatização da companhia de correios Japonesa, e a necessidade de obter maiores lucros e melhor desempenho econômico, foi proposta a demolição dos prédios. Os prédios que se encontram em áreas centrais das duas maiores cidades do Japão, foram considerados obsoletos e a proposta é de substituí-los por edifícios mais altos, que aproveitem melhor a rentabilidade dos terrenos. Em vista a possível demolição dos prédios a Docomomo Japan e Instituto Arquitetural do Japão (AIJ) organizou seminários e movimentos de protestos. Apesar dos esforços de ambas as sociedades e mesmo com o apoio do ministério da cultura Japonesa, não foi possível tombar os prédios como patrimônio histórico cultural. Aqui a maior dificuldade foi encontrada na opinião publica que tem dificuldade de entender o valor histórico e cultural de edificações de linguagem moderna. Veremos também a ameaça ao patrimônio moderno devido à privatização de empresas estatais, no caso a empresa de correios. A privatização de empresas estatais e a busca por maiores lucros põem em risco à existência de patrimônio histórico, que no caso do Japão muitas vezes sobreviveram a terremotos e bombardeios da segunda guerra mundial. O fato do Japão estar sujeito a freqüentes tremores também dificulta a preservação de prédios antigos, que por não obedecerem às atuais leis de seguranças são muitas vezes considerados estruturalmente frágeis. Reforços estruturais contra abalo sísmico são de alto custo e dificultam a preservação dos prédios. O prédio da estação central de correios de Tókio teve os trabalhos de demolição iniciados em começo de março, os quais foram interrompidos devido à intervenção do ministro de assuntos internos. Graças à intervenção do ministro o projeto de re-desenvolvimento da área que propunha apenas a conservação de 30% da fachada do prédio antigo foi alterado, e a atual tendência é que 70% da fachada sejam conservadas. Em relação ao prédio de Osaka o destino do mesmo ainda é incerto. Concluiremos que de maneira a viabilizar a proteção do patrimônio moderno em contexto urbano no Japão é preciso primeiro transmitir ao público a importância histórica e cultural de tais prédios e ao mesmo tempo educar o público sobre a estética e o movimento moderno. A opinião pública consegue identificar prédios da mesma época que usam uma linguagem arquitetônica revivalista, por exemplo, neoclássica ou neo-gótica, como patrimônio cultural, mas tem dificuldade de reconhecer a importância cultural de edifícios de linguagem moderna.

Palavras-chave

Como citar

HIGASHINO, Adriana Piccinini. Agência Metropolitana de correios de Tóquio e Osaka: dificuldades na conservação do Patrimônio Moderno dentro do contexto urbano japonês. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-14. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19072967.

Referências

  • Affairs, A. f. (s.d.). Bunkazai shitei nado no kennsu. Acesso em 20 de 06 de 2009, disponível em Agency for cultural affairs: http://www.bunka.go.jp/bunkazai/shoukai/shitei.html Fukuda, S. (1991). Kindai kenchiku no rekishiteki hyoka wo megute. kenchikuzashi vol 106, No 1321 , 26-27. Ichiura, K. (1933). 前年末に完成した中央郵便局が年頭から批評の焦点となった後は. 国際建築 . Japan, A. I. (s.d.). AIJ data box. Acesso em 20 de 06 de 2009, disponível em Arcchitectural Institute of Japan: http://www.aij.or.jp/jpn/databox/2009/20090227.htm seijika no hozonkatsudo mo hanekaesu keizai no kabe. (2009 5-11). Nikkei Architecture , 36-39. Tanaka, S. (2002). Kindaikenchikushi to bunkazai. Journal of architecture and building science vol 117 no 1497 , 42. Taut, B. (1935). Architecture Nouvele au Japon. L’Architecture d’Aujourd’hui , 66. Yoshida, T. (1933). Tenshishokyokaizashi, , 116. Yoshida, T. (1968). Tetsuro Yoshida architecture 1919-1956. Tokyo: Tokai University Press.
  • Figuras extraídas do livro Tetsuro Yoshida architecture 1919-1956

Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4