A obra de Roberto Burle Marx para a cidade do Rio de Janeiro: um Patrimônio Cultural carioca
Resumo
Introdução O presente trabalho faz parte das pesquisas desenvolvidas para o estudo de proteção das obras paisagísticas de Roberto Burle Marx (1909 – 1994) na cidade do Rio de Janeiro, como parte das comemorações do centenário do seu nascimento. A iniciativa da proteção surgiu no ano de 2007, através da ABAP – Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas, que solicitou ao órgão de proteção do patrimônio cultural do município, a então SEDREPAHC, o tombamento das obras paisagísticas de Roberto Burle Marx na cidade do Rio de Janeiro. Os estudos foram iniciados em 2007 com o levantamento bibliográfico e iconográfico a partir de fontes secundárias com o objetivo de confeccionar uma listagem de todas as obras paisagísticas de autoria de Roberto Burle Marx na cidade do Rio de Janeiro. Essa pesquisa identificou mais de 200 obras paisagísticas com autoria atribuída a Roberto Burle Marx, como jardins, painéis, muros e outros equipamentos formadores da paisagem, incluindo os projetos não executados. Diante do grande universo de obras enumeradas, foi necessário definir etapas de trabalho e estabelecer critérios para o desenvolvimento do estudo, pois as dificuldades com que nos deparamos na elaboração das fichas de inventário foram inúmeras, dentre elas, a necessidade de acesso aos projetos originais e a inacessibilidade à maioria dos imóveis particulares. Optou-se por usar como critério de classificação das obras, o caráter público destas, utilizando categorias como: espaços públicos da cidade, obras produzidas para órgãos públicos ou locais de acesso público. Em oposição, as obras paisagísticas com caráter privado serão abordadas numa etapa posterior do estudo. A aplicação dessas categorias possibilitou a classificação das obras paisagísticas, facilitando a tomada de decisão sobre qual o tratamento e proteção propostos mais adequados a cada uma. Após a separação entre as obras paisagísticas de caráter público e as de caráter privado1, separou-se o que foi produzido para o município ou órgãos municipais daquilo que foi produzido para outro órgão, instituição ou empresa. A partir dessa separação foi realizada pesquisa nos acervos de plantas dos órgãos da prefeitura como Fundação Parques e Jardins e Fundação Rio Zoo, para identificar os projetos de Burle Marx produzidos para o município. Chegou-se assim a representadas em sua maioria por residências e edifícios residenciais. Duas únicas exceções são o paisagismo para a residência de Walter Moreira Salles e para a residência de Raimundo Ottoni de Castro Maya, ambas transformadas em centro cultural e museu e, portanto, consideradas como de acesso público. uma listagem final das obras paisagísticas a serem cadastradas nesta primeira etapa de estudo. Apesar de serem uma pequena fração de todas as obras produzidas por Burle Marx para o Rio de Janeiro podem ser consideradas representativas de sua atuação na cidade pela localização, extensão ou abrangência visual. As obras selecionadas cobrem um período de quase 50 anos de produção, iniciando com o projeto para o espaço zoobotânico do Jardim Zoológico em 1946 e terminando com o canteiro central da Rua General Glicério em 1993, um ano antes do seu falecimento.
Palavras-chave
Como citar
MAGINA, Jeanice de Freitas; MELLO, Fernando Fernandes de. A obra de Roberto Burle Marx para a cidade do Rio de Janeiro: um Patrimônio Cultural carioca. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-11. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19073048.
Referências
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Ficha catalográfica
8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4

