Patrimônio Moderno da saúde e os desafios para a sua valorização: o exemplo do Rio de Janeiro

p. 1-17

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19073089

Resumo

Em 1984, os edifícios modernistas de Antonio Gaudi em Barcelona se constituíram como as primeiras obras selecionadas, seguidas pelo conjunto arquitetônico de Brasília, em 1987; os edifícios da Bauhaus, em Dessau (Alemanha), em 1996; pela Casa Schröeder, em Utrecht (Holanda), e a Cidade Universitária de Caracas (Venezuela), em 2000; a vila Tugendhat, em Brno (Tchecoslováquia), 2001; a Cidade Branca de Tel Aviv (Israel), 2003; e o Campus Universitário da Universidade Nacional Autônoma do México, na Cidade do México (México), em 2007 (MARTINEZ, 2009). academicismo, os projetos oscilam entre um funcionalismo maquiado de regionalismo e de uma pesquisa por formas inovadoras que respondem perfeitamente às preocupações dos arquitetos do movimento moderno. Marcados pelos novos conceitos da mecanização, da helioterapia e da flexibilidade, esses edifícios estão na origem de um novo modo de habitar higienista, regido por uma rigorosa disciplina médica, onde as influências sobre as tipologias dos hospitais, dos hotéis e da moradia anunciam os novos valores ambientais da sociedade contemporânea”2. Outros exemplos estão surgindo pelo mundo, como é o caso da Índia, que luta por preservar o último sanatório do tipo rotativo remanescente no mundo. Na Inglaterra, o sanatório para tuberculosos de Sully Glamorgan passa por obras de restauração para o uso residencial, com vistas à sua recuperação. A França, já conta com um grande inventário de seus espaços de cura, mas vem apontando preocupação quanto à destinação de usos desses sanatórios e dificuldades de lhes agregar valor patrimonial3, haja vista a realização do colóquio. Uma das ações pontuais, desencadeada por arquitetos e historiadores da arte, seria reparar a ausência desses edifícios das listas de obras de arte do Movimento Moderno e, assim, iniciar um processo de recuperação e valorização deste acervo (CREMNITZER, 2005). A América Latina vem se destacando nas preocupações de salvaguarda do patrimônio da saúde sem se deter em um objeto ou período específicos. No Chile, a partir da mobilização de parte da população de uma cidade face à destruição do Hospital San Jose, os temas do patrimônio cultural da saúde foram nos últimos anos reconhecidos como objetos de atenção pública no âmbito específico do Ministério da Saúde – que criou a Unidade de Patrimônio Cultural e inspirou a constituição da rede latino-americana4: “Deste modo desenvolve-se hoje, neste país, com uma abordagem intersetorial, descentralizada e participativa, um conjunto de ações em áreas como documentação, patrimônio arquitetônico, pesquisa histórica e difusão cultural, que afirmam a história e o patrimônio cultural como dimensões relevantes das políticas de saúde em um contexto de reforma social”5. No Brasil, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Saúde do Chile, o Centro Latino-americano de Informação em Ciências da Saúde e a Organização PanAmericana de Saúde (OPAS), vêm trabalhando no âmbito da organização da Rede Latino-americana de História e Patrimônio Cultural da Saúde. Essa rede tem o objetivo de 2 Atas do Colóquio Histoire et Réhabilitation des Sanatoriums en Europe : 2.

Palavras-chave

Como citar

COSTA, Renato da Gama-Rosa. Patrimônio Moderno da saúde e os desafios para a sua valorização: o exemplo do Rio de Janeiro. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-17. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19073089.

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4