O azulejo na Modernidade arquitetônica

p. 1-18

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19073101

Resumo

No Brasil, os anos de 1930 a 1960 irão colher os frutos dos movimentos ocorridos no início do século XX: centralização do poder nas mãos do Estado, alfabetização em massa, uniformização da população, primeira grande guerra, pós-guerra, industrialização, tentativa de democratização. Em meio a esse período sócioeconômico-cultural conturbado, a arquitetura destaca-se como solução para a criação de uma identidade nacional e fortalecimento dos ideais do nosso país como nação. A denominada arquitetura moderna brasileira lança-se em comunhão com o governo, avança e torna-se ícone de renovação mundial, criando obras que conciliavam os princípios arquitetônicos racionais com a questão do regionalismo e tradição local. Com a ascensão da nova arquitetura, renasce, em meio ao processo de integração das artes, a arte da azulejaria, adormecida pelos insistentes movimentos de repressão a tudo que se relacionava à arquitetura neocolonial. O reavivamento do material decorreu do fato de o discurso moderno brasileiro casar a tradição com a modernidade e fazer dos materiais nacionais e tradicionais ponte de ligação entre o colonial e a vanguarda. Por meio desse processo, o artigo objetiva destacar a arte da azulejaria durante o movimento moderno, como elemento integrante na conformação de um discurso e de uma arquitetura nacional e como participante na síntese entre as artes. O Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP) – hoje denominado Palácio Gustavo Capanema – é o edifício elencado para a discussão desse processo. O uso do azulejo no edifício do MESP, ícone da arquitetura moderna no Brasil, foi o início de um processo que durou até meados de 1960, perpassando por obras importantes como o Conjunto Pedregulho e o Conjunto da Pampulha. Perante um processo de globalização mundial e banalização da cultura, o entendimento do papel do azulejo na arquitetura brasileira pode auxiliar na preservação desse bem – que é patrimônio nacional – e evitar que essa memória seja esvaecida.

Palavras-chave

Como citar

SILVEIRA, Marcele Cristiane da. O azulejo na Modernidade arquitetônica. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-18. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19073101.

Referências

  • ALCÂNTARA, Dora de. Azulejos na Cultura Luso-Brasileira. Rio de Janeiro: IPHAM, 1997.
  • BARATA, Mário. Azulejos no Brasil – Séculos XVII, XVIII e XIX. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1955.
  • BARROS, Luiz Antônio Recamán. Por uma Arquitetura Brasileira. 1996. 196p. Tese (doutorado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
  • BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1999.
  • BUZZAR, Miguel Antonio. João Batista Vilanova Artigas: elementos para a compreensão de um caminho da arquitetura brasileira, 1938-1967. 1996. Tese (doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
  • CARDOZO, Joaquim. Azulejos na Arquitetura Brasileira. 1948. Texto disponível na internet, em: http://joaquimcardozo.com/paginas/joaquim/poemas/arquitetura/azulejos.pdf. Acesso em: 12 março 2007.
  • CAVALCANTI, Lauro. Moderno e Brasileiro – A história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.
  • COELHO, Isabel Ruas Pereira. Painéis em mosaico na arquitetura moderna paulista – 1945- 1964. 2000. 224p + anexos. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
  • COSTA, Lúcio. Lúcio Costa: Registro de uma Vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995.
  • FUNDAÇÃO Athos Bulcão. Athos Bulcão. São Paulo: Fundação Athos Bulcão: Petrobras, 2001.
  • GIEDION, Siegfried. O Brasil e a arquitetura contemporânea. In: XAVIER, Alberto F. M, (coord.). Depoimento de uma Geração. São Paulo: Cosac & Naify, 2003, p. 155-158.
  • GOMES, Ângela de Castro. Capanema: o Ministro e Seu Ministério. Bragança Paulista: Ed.
  • GROPIUS, Walter. Um vigoroso movimento. In: XAVIER, Alberto F. M, (coord.). Depoimento de uma Geração. São Paulo: Cosac & Naify, 2003, p. 153-154.
  • HOBSBAWM, Eric. J. Nações e Nacionalismo de 1780 – Programa, Mito e Realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
  • KNOFF, Udo. Azulejos da Bahia. Bahia: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1986.
  • LEMOS, Carlos A. C. Azulejos Decorados na Modernidade Arquitetônica. In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 20, p. 167-174, 1984.
  • LISSOVSKY, Maurício; MORAES DE SÁ, Paulo Sérgio. Colunas da educação: a construção do Ministério da Educação e Saúde, 1935-1945. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional: Fundação Getúlio Vargas, Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil, 1996.
  • MARTINS, Carlos A. F. Arquitetura e Estado no Brasil: Elementos para uma Investigação sobre a Construção do Discurso Moderno no Brasil – A Obra de Lúcio Costa, 1924/1952. 1987. 185p. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.
  • MORAIS, Frederico. Azulejaria Contemporânea no Brasil. São Paulo: Editoração Publicações e Comunicações Ltda, 1988.
  • MORAIS, Frederico. Azulejaria Contemporânea no Brasil – Volume II. São Paulo: Editoração Publicações e Comunicações Ltda, 1990.
  • MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES (org.), FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (org.). Djanira e a Azulejaria Contemporânea: catálogo. Rio de Janeiro, 1997. 28 p. Publicado por ocasião da exposição realizada no Museu Nacional de Belas Artes de Fevereiro a Março de 1997.
  • OLIVEIRA, Márcia David de. O Lugar da Arte: o Caso do Ministério da Educação e Saúde Pública – Rio de Janeiro 1935/1945. 2005. 268p. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. São Paulo: Editora Edusp, 1997.
  • SEGRE, Roberto et al. O edifício do Ministério da Educação e Saúde (1936-1945): museu “vivo” da arte moderna brasileira. Texto disponível na internet, em: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq069/arq069_02.asp. Acesso em: 10 setembro 2006.
  • UNDERWWOD, David. Oscar Niemeyer e o modernismo de formas livres no Brasil. São Paulo: Editora Cosac Naify, tradução de Betina Bischof, 2002.
  • XAVIER, Alberto (org.). Depoimento de uma Geração – Arquitetura Moderna Brasileira. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
  • ZEIN, Ruth Verde. As Tendências e as Discussões do Pós-Brasília. In: REVISTA PROJETO. São Paulo: Arco, n. 53, julho 1983, p. 75-85.
  • ZÍLIO, Carlos. A Querela do Brasil: A Questão da Identidade na Arte Brasileira - a obra de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari, 1922-1945. Rio de Janeiro: Edição Funarte, 1982.

Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4