Diagrama como discurso visual: uma velha técnica para novos desafios

p. 1-16

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

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Resumo

8º DoCoMoMo BRASIL Sessão 3 O Movimento Moderno e os novos desafios ecológicos e técnicos. Diagrama como discurso visual: Introdução Diagrama é uma forma de discurso visual que integra imagem, texto e números. Entende-se aqui o ‘discurso’ como um enunciado (ou proposição) organizado de acordo com normas claramente estabelecidas, que expõe sistemática e metodicamente algum propósito e, tanto quanto o possível, manipulado conscientemente. Por conta da sua força imagética, talvez até se pudesse considerar o diagrama como que incluída numa categoria maior e mais fundamental que se poderia denominara como ‘desenho’. Neste caso, poder-se-ia dizer que um ‘desenho’ é diagramático quando envolve um processo de redução de informação: o discurso visual será o resultado da seleção criteriosa (feita de modo convencional ou idiossincrático) de uma quantidade maior de informação disponível: partes são suprimidas para que outras sejam realçadas, elementos são encadeados numa determinada ordem, mas para que seja compreensível (‘legível’), se abdica de questões mais complexas. Ou seja, diagrama é uma estrutura imagética — acompanhada de ilustrações, esquemas gráficos, textos sucintos (em geral blocos de informação), medições, valores e elementos gráficos simbólicos — que deriva de uma ação racional (apoiado ou não por mecanismo lógico de abstração) cujo propósito é o de reduzir e simplificar: visa deixar o mais claro possível, segundo a visão daquele que o produziu, uma informação determinada; uma evidência histórica, um arranjo, projeto, ou proposta; uma interpretação; uma explicação; um sistema; um mecanismo; uma operação matemática e até mesmo um argumento lógico ou filosófico (encadeamento de enunciados e conclusão). Resultam de um procedimento mental que é essencialmente instrumental, e não um fim em si mesmo, e não necessariamente se parecem com aquilo que irão representar ou levar a “produzir”. Seria a mais econômica ou condensada expressão da idéia. Uma espécie de aforismo visual, que, por isso mesmo, corre o risco de quando repetido mecanicamente perder ou ter enfraquecido seu poder ‘revelador’. De fato, diagramas são recursos gráficos de longa história que hoje têm importância inequívoca no cotidiano da comunicação visual. É até difícil pensar em temas ou questões, sejam simples ou muito complexos, sendo expressos sem seu auxílio. Millor Fernandes costuma propor como desafio traduzir visualmente a idéia: “uma imagem vale mil palavras”; no entanto, é impossível não reconhecer a universalidade da genial interpretação topólogica de cidade feita por Harry Beck em 1931 para o metrô londrino. Na realidade, muitos nem se dão conta que uma quantidade considerável de arranjos de blocos de informação (textos) ou ilustrações comuns no dia-a-dia são de fato diagramas ‘disfarçados’ traduzindo imagéticamente idéias as vezes assaz sofisticadas. Um exemplo marcante e influente seria o diagrama de Venn. Embora idealizado, no final do século XIX, como um meio para expressar a organização de conjuntos matemáticos e relações lógicas, as figuras de Venn são usadas, e provavelmente continuarão sendo, em temas muito mais abrangentes.

Palavras-chave

Como citar

BARKI, José. Diagrama como discurso visual: uma velha técnica para novos desafios. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-16. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19073133.

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4