Os painéis de azulejos na arquitetura brasileira e a identidade moderna

p. 1-9

Capa dos anais

8º Seminário Docomomo Brasil, Rio de Janeiro, 2009

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19073137

Resumo

O Congresso da AICA de 1959 pode ser considerado o último momento em que um grupo significativo de intelectuais se detém sobre o tema da síntese das artes que aglutinou, num momento de dúvidas e incertezas em relação às tendências racionalistas da Europa do entreguerras, os esforços de crítica e reflexão voltados para a busca de novas soluções para os problemas da arquitetura e da cidade. Debate que se inicia durante a segunda guerra mundial acaba por estabelecer conexões entre síntese das artes, monumentalidade e centro cívico, propondo novas diretrizes para a cultura arquitetônica, visando à humanização do espaço urbano em contraposição a um estreito funcionalismo. A intenção deste trabalho é refletir sobre este debate a partir dos argumentos colocados por alguns dos participantes do Congresso de 1959, como Bruno Zevi, Alberto Sartoris e Meyer Schapiro, focalizando especialmente os espaços públicos, como lugares que possibilitam associações e permitem vínculos de pertencimento dos habitantes com o lugar. Nesse sentido a noção de monumento como marco de referência urbana, recuperada por Giedion, Sert e Leger em texto de 1943, seria o elemento responsável por possibilitar o diálogo entre arte, arquitetura e vida urbana, já que a nova monumentalidade cívica é proposta com base na colaboração entre pintores, escultores, arquitetos e urbanistas. Esta relação entre centro cívico e síntese das artes já tinha sido estabelecida pelo VIII CIAM de 1951, que se voltava para o tema do coração da cidade e enfatizava a relação entre espaço público e obra de arte. O centro cívico era visto, portanto, como local privilegiado da cidade, pois abrigaria as obras de arte, os monumentos e os edifícios públicos, constituindo-se em espaço representativo de uma dada comunidade. Estas proposições do CIAM, que repercutem nas falas dos participantes do Congresso de 1959, antecipam muitos dos temas que ocupam a atenção do campo arquitetônico nas décadas seguintes, voltado para a reflexão sobre a condição do homem frente à nova dimensão da vida urbana e as possibilidades de organização social do seu espaço de vida.

Palavras-chave

Como citar

YUNES, Gilberto Sarkis. Os painéis de azulejos na arquitetura brasileira e a identidade moderna. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 8., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: PROURB-UFRJ, 2009. p. 1-9. ISBN 978-85-88027-11-4. DOI: 10.5281/zenodo.19073137.

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Ficha catalográfica

8º Seminário Docomomo Brasil: anais: cidade moderna e contemporânea: síntese e paradoxo das artes [recurso eletrônico] / organização: Roberto Segre et al. Rio de Janeiro: Docomomo-RJ; Prourb-UFRJ, 2009. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Rio de Janeiro. ISBN 978-85-88027-11-4