À margem do Movimento Moderno
Resumo
Na década de quarenta do século passado começa a se difundir por nossas principais cidades uma orientação arquitetônica originária das realizações de alguns profissionais cariocas e de forte raiz corbusieriana. Essa tendência iria alcançar uma posição hegemônica no campo arquitetônico ao longo da década seguinte. Neste processo de acumulação de capital simbólico, a sua estética findou por tomar para si a condição de legítima arquitetura moderna brasileira, desse modo legando ao esquecimento obras que nela não se enquadram.
Em geral, apesar da sua relevância e interesse, inúmeras realizações com tal perfil não são consideradas na historiografia sobre a modernidade por não corresponderem a um entendimento estreito de arquitetura moderna enquanto estilo único e unitário. Nossa sessão foi constituída justamente com o objetivo de contemplar a apresentação de pesquisas sobre arquiteturas de orientação modernizadora — quanto à estética e linguagem, programas, aspectos construtivos etc. — que não se ajustam ao entendimento corrente do que seja a arquitetura do Movimento Moderno.
Em outras palavras, será que os vencidos não têm direito sequer à história de sua própria derrota?
O primeiro trabalho a ser apresentado, "Quanto vale um patrimônio cultural? O caso da fábrica Rheingantz em Rio Grande", argumenta a favor da preservação de um conjunto de edificações de uso industrial que, apesar de não corresponder ao modernismo em termos de linguagem, é sem dúvida testemunho do processo de modernização da sociedade gaúcha. Na sequência, os trabalhos "Sobre o edifício A Tarde" e "Edifício Santana, o primeiro arranha-céu de Campinas" trazem uma contribuição para o conhecimento e valorização de prédios realizados com clara intenção moderna, seja por seu programa e sistema construtivo, seja por sua linguagem arquitetônica característica.
O trabalho "Descobrindo o art-déco no Cemitério São João Batista" mostra como expressões de modernização podem ser aplicadas a programas mais tradicionais. Fechando a sessão, o trabalho "Grades de ferro ornamentais em Belo Horizonte: permanência e mobilidade na constituição de uma memória gráfica" estuda a representação da modernidade por meio da decoração de elementos de acabamento, como gradis de ferro para janelas ou portões.
Como citar
FICHER, Sylvia. À margem do Movimento Moderno. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9., 2011, Brasília. Anais [...]. Brasília: PPG-FAU-UnB, 2011. p. 1-3. ISBN 978-85-60762-04-0. DOI: 10.5281/zenodo.19099196.
Ficha catalográfica
9º Seminário Docomomo Brasil: anais: interdisciplinaridade e experiências de documentação e preservação do patrimônio recente [recurso eletrônico] / organização: Andrey Rosenthal Schlee, Danilo Matoso Macedo, Elcio Gomes da Silva, Sylvia Ficher. Brasília: UnB-FAU, 2011. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Brasília. ISBN 978-85-60762-04-0

