A formação do arquiteto e o patrimônio recente
Resumo
Esta mesa se propõe a debater dois dos principais desafios que a conservação da arquitetura moderna enfrenta: o seu reconhecimento enquanto patrimônio e a necessidade de capacitar quadros para a sua conservação.
Com exceção de algumas obras marcantes, a arquitetura moderna ainda não atingiu o mesmo nível de reconhecimento que as arquiteturas de períodos anteriores, mesmo em países com tradição moderna como o Brasil, Estados Unidos e a Finlândia. Isto acontece por diversas razões: 1) pelo fato de muitas vezes grandes obras terem um acesso mais difícil ao público em geral; 2) pelo simples fato de existirem muito mais edifícios modernos do que de épocas anteriores, quando os sistemas de conservação sobrevalorizam o critério de ancianidade e raridade e quando as pessoas sentem dificuldade para avaliar a significância de edifícios ou paisagens nos quais nasceram ou cresceram; 3) pela falta de instrumentos de nosso sistema de preservação para lidar com a diversidade, complexidade e a escala da arquitetura do século XX, que inclui edifícios em altura, campi universitários, fábricas e casas estandardizadas; e 4) pela dificuldade de aceitarmos a pátina na arquitetura moderna.
Após 30 e 40 anos de sua construção, um edifício moderno entra em seu primeiro ciclo de reformas. Trata-se de um momento muito delicado, pois o edifício ainda não está registrado ou reconhecido como um bem, e essas reformas, por mais simples que sejam, podem eliminar importantes características do edifício. Já que os valores da arquitetura moderna ainda não estão claramente reconhecidos pela sociedade, essas incertezas são aparentes no resultado das intervenções. Programas educacionais e campanhas públicas fazem-se necessários para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se proteger essas obras. Faz-se necessário também formar profissionais que sejam capazes de identificar seus valores e os problemas relativos à sua conservação e de intervir sem que a integridade e autenticidade desses edifícios sejam comprometidas.
Os trabalhos de Adriana Mara Oliveira, Olga Paterlini (e equipe) e Maria Beatriz Machado (e equipe) mostram experiências de articulação entre ensino, pesquisa e extensão visando o registro e reconhecimento da arquitetura moderna, e da conscientização sobre seus valores perante a sociedade, em cidades como Goiânia, Tucumán (Argentina) e Caxias do Sul e região da Serra Gaúcha, respectivamente. Os outros dois trabalhos, da dupla Luiz Amorim e Fernando Moreira e de Carolina Brasileiro e equipe, mostram experiências de capacitação em conservação da arquitetura moderna desenvolvidas em Pernambuco, mostrando as possíveis especificidades neste tipo de capacitação.
Como citar
MOREIRA, Fernando Diniz. A formação do arquiteto e o patrimônio recente. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9., 2011, Brasília. Anais [...]. Brasília: PPG-FAU-UnB, 2011. p. 1-3. ISBN 978-85-60762-04-0. DOI: 10.5281/zenodo.19099236.
Ficha catalográfica
9º Seminário Docomomo Brasil: anais: interdisciplinaridade e experiências de documentação e preservação do patrimônio recente [recurso eletrônico] / organização: Andrey Rosenthal Schlee, Danilo Matoso Macedo, Elcio Gomes da Silva, Sylvia Ficher. Brasília: UnB-FAU, 2011. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Brasília. ISBN 978-85-60762-04-0

