Diálogos lusófonos: dos fluxos de idéias entre países de língua portuguesa
Resumo
As experiências modernistas em países de língua portuguesa revelam entrelaçamentos múltiplos de ideias, cujos fluxos se dão em diversos sentidos e direções, particularmente quando observadas as temporalidades que as constituíram. Os pesquisadores aqui reunidos trazem contribuições importantes para compreender as origens, os caminhos e os diversos destinos de interpretações do problema arquitetônico e urbanístico em plena rota às modernidades pretendidas e às expressões modernistas possíveis.
No contexto lusitano, Brazil Builds apresentou uma possibilidade de conciliação entre tradição e modernidade, debate que se travava tanto no campo ideológico, quanto profissional. No campo ideológico, o estado Português estabelecia correlações entre o modernismo e o pensamento de esquerda, calcado, também, na tese da identidade nacional, no caso, cristalizada em uma mítica arquitetura tradicional portuguesa. No campo profissional, percebe-se claramente no debate sobre o problema da habitação entre as posições de Raul Lino e Fernando Távora. O mesmo Távora que, ao falar por uma geração, afirmava: Brazil Builds era o nosso Vignola!
No contra fluxo das ideias, Luiz Amorim observa este contexto lusitano por meio do Concurso para Obtenção do Diploma de Arquitetura de Delfim Amorim, dentre os ilustres intelectuais que deixaram o solo português nos anos de 1950, tendo como destino o Brasil, as colônias e países europeus, notadamente a França. Discute em que medida as ideias contidas no seu trabalho estruturaram sua experiência profissional, notadamente em solo brasileiro.
As colônias africanas, paradoxalmente, foram palco de planos e projetos forjados na metrópole fundados naqueles princípios de nacionalismo e aproximação a uma arquitetura de sabor quase pitoresco, mas também ofereceram a oportunidade para a realização de grandes projetos urbanísticos e arquitetônicos alinhados com as experiências modernistas contemporâneas europeias e brasileiras. Ana Vaz Milheiro, com a produção do Gabinete de Urbanização Colonial, e Ana Tostões e Maria Manuel Oliveira, com o Complexo Monteiro & Giro, nos mostram algumas faces deste cenário contraditório.
Se Lúcio Costa propunha uma documentação necessária, os arquitetos portugueses a fizeram por meio do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa. Seus frutos serão percebidos mais claramente nos anos de 1960, particularmente nas obras de Távora e Siza. Delecave trata dos aspectos de identidade e subjetividade na obra de Távora, encerrando a mesa temática.
Como citar
AMORIM, Luiz Manuel do Eirado. Diálogos lusófonos: dos fluxos de idéias entre países de língua portuguesa. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9., 2011, Brasília. Anais [...]. Brasília: PPG-FAU-UnB, 2011. p. 1-3. ISBN 978-85-60762-04-0. DOI: 10.5281/zenodo.19099251.
Ficha catalográfica
9º Seminário Docomomo Brasil: anais: interdisciplinaridade e experiências de documentação e preservação do patrimônio recente [recurso eletrônico] / organização: Andrey Rosenthal Schlee, Danilo Matoso Macedo, Elcio Gomes da Silva, Sylvia Ficher. Brasília: UnB-FAU, 2011. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Brasília. ISBN 978-85-60762-04-0

