Historiografia de arquitetura: práticas e reflexões

p. 1-2

Capa dos anais

9º Seminário Docomomo Brasil, Brasília, 2011

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19099255

Resumo

Os trabalhos apresentados nesta mesa têm em comum a vontade de introduzir deslocamentos na interpretação dos temas que abordam. Observando quase cinquenta anos de práticas arquitetônicas seus autores buscam analisar um conjunto de obras enfatizando suas referências, as poéticas que as engendram ou, enfim, suas condições de possibilidade técnicas e construtivas.

Inventários de conjuntos de edifícios que ora parecem adotar características formais de um certo período, ora claramente se destacam delas; experimentações plásticas alternativas a correntes desenvolvidas por arquitetos ligados ao Movimento Moderno do pós-guerra compartilhadas por diferentes gerações: os trabalhos de Naslavsky e Silva e de Moreira e Cantalice estão mais francamente envolvidos na análise de movimentos e soluções formais e o seu quadro de referências. Os trabalhos de Agrasar e de Almeida Lopes e Lancha, por outro lado, voltam-se para obras específicas e suas condições de concepção, em um caso, e de materialização, em outro. As questões de abordagem e método da história da arquitetura afloram nos quatro textos que seguem orientações distintas, senão francamente divergentes. Como podemos pensar a escrita da história da arquitetura hoje? É esta a pergunta ou a proposta que os autores, explícita ou implicitamente, formulam e que, pelo rigor de suas iniciativas ou argumentações, deseja-se debater.

Como considerar o jogo das referências na concepção de uma obra? Como tornar a história da arquitetura atenta menos aos estilos do que aos embates, às circunstâncias, às possibilidades, às transgressões e até fracassos ou impasses que cada arquiteto enfrenta ou realiza em suas situações individuais, coletivas — históricas, em suma — de ação, formalização ou construção? Ou ao inverso na recepção e análise de sua obra? Como extrair a prática e a leitura da arquitetura da a-história, em que se acha ainda envolvida e devolver-lhe historicidade?

Ao que parece, não obstante o deslocamento crítico observado nas ciências humanas e sociais e o desenvolvimento teórico tanto da "historiografia" como campo da reflexão sobre a prática da escrita da "história da história" quanto dos estudos culturais, esse esforço teórico parece tênue quando se trata do campo da arquitetura. É sobre isso que se trata de deter-se e refletir, aqui, coletivamente.

Como citar

PEREIRA, Margareth Campos da Silva. Historiografia de arquitetura: práticas e reflexões. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9., 2011, Brasília. Anais [...]. Brasília: PPG-FAU-UnB, 2011. p. 1-2. ISBN 978-85-60762-04-0. DOI: 10.5281/zenodo.19099255.

Ficha catalográfica

9º Seminário Docomomo Brasil: anais: interdisciplinaridade e experiências de documentação e preservação do patrimônio recente [recurso eletrônico] / organização: Andrey Rosenthal Schlee, Danilo Matoso Macedo, Elcio Gomes da Silva, Sylvia Ficher. Brasília: UnB-FAU, 2011. 1 DVD (4 ¾ pol.). Produção do Núcleo Docomomo Brasília. ISBN 978-85-60762-04-0