Modernos, antigos e atrasados: a questão do valor patrimonial e a querela do Hotel Internacional Reis Magos (Natal-RN)
Resumo
Este artigo é essencialmente um exercício de memória e resistência, com inegável sentido de relato quase jornalístico. Pela memória, presta-se a registrar o passo a passo das discussões e querelas que se formaram em torno dos intentos de demolição do Hotel Internacional Reis Magos (HIRM), retaliado no último meses de 2013. Pela resistência, serve como mapeamento de entre e saídas, dos limites e possibilidades de debate sobre as questões arquitetônicas urbanísticas e, em especial, dos patrimônios quando assumem a esfera pública, como tão acrônico no Brasil. Como pano de questões de fundo, luma-se com a dificuldade de compreensão do acervo da arquitetura moderna como patrimônio, cuja possibilidade de restauração, preservação e reutilização nem sempre é reconhecida. É caso enfatizar, mas a dificuldade se traz, mesmo entre os colegas arquitetos e urbanistas, engenheiros ou do campo das artes em geral. Parece que a questão do patrimônio, a despeito de inúmeros avanços nas experiências projetuais e do acúmulo de discussões e formulações teóricas e conceituais, não consegue escapar, ao menos na esfera pública, da ideia do tombamento. É possível construir um novo campo discursivo em prol de uma noção de tombamento que possibilite abarcar intervenções contemporâneas?
Palavras-chave
Abstract
This article is essentially an exercise of memory and resistance, with an undeniable sense of quasi-journalistic report. Through memory, it registers the storyline and the details of the arguments and complaints about the intended demolition of Hotel Internacional Reis Magos, retaken in late 2013. Through resistance, it works as a register of instances and sources, limits and possibilities created when constructing a debate about architectural, urbanistic and (in particular) heritage related questions. As one of the background questions, it enlightens the difficult recognition of modern architecture as heritage, whose possibilities for restoration, preservation and reutilization are often not even considered. It is important to stress that this difficulty puts out even among fellow architects and urbanists, engineers and artists. It seems that the heritage question, in spite of countless advances in conceptual experiences and the accumulation of theoretical and projectual formulations, cannot scape, at least at the public sphere, from the idea of listing. Along with this idea, face and resistance from complete 'freeing' contribute to stir up the disputes. Which alternatives are there to surpass this dichotomy? Is it possible to build a new discourse towards an idea of listing that makes it possible to include contemporary interventions?
Keywords
Como citar
DANTAS, George Alexandre Ferreira; NASCIMENTO, José Clewton do; VIEIRA-DE-ARAÚJO, Natália Miranda. Modernos, antigos e atrasados: a questão do valor patrimonial e a querela do Hotel Internacional Reis Magos (Natal-RN). In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 11., 2016, Recife. Anais [...]. Recife: Docomomo Brasil; Editora UFPE, 2016. p. 1-13. ISBN 978-85-415-0803-2. DOI: 10.5281/zenodo.19074532.
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Ficha catalográfica
11º Seminário Docomomo Brasil: anais: o campo ampliado do movimento moderno [recurso eletrônico] / organização: Luiz Amorim. Recife: Docomomo Brasil; Editora UFPE, 2016. ISBN 978-85-415-0803-2

