São Miguel das Missões: o atraso, o regresso e o reinício

p. 1-20

Capa dos anais

13º Seminário Docomomo Brasil, Salvador, 2019

Baixar PDF DOI10.5281/zenodo.19077593

Resumo

Ainda existe grande divergência a respeito da terminologia a ser usada para designar uma intervenção em preexistência arquitetônica. Não existe clareza a respeito do significado de termos como preservação, conservação, manutenção, recuperação, reciclagem, rearquitetura, retrofit, restauração e outros. Aliado a esta indefinição, percebe-se que a maioria dos termos em voga restringe-se a tratar das transformações materiais realizadas pelos projetos de intervenção. Considerando que esta categoria de projeto é um exercício de memória, entende-se que suas ações possuem um caráter subjetivo bastante relevante. O arquiteto interventor entrelaça pontos do passado e do presente, criando uma nova realidade e modificando a linha do tempo daquele edifício. Baseado nisso, propõe- se o uso de uma nova terminologia para intervenções em preexistências, mais relacionada a transformações temporais, dividindo os procedimentos em três categorias: atraso, regresso e reinício. Para explicar e exemplificar estas categorias, faz-se uma análise da trajetória do Complexo Arqueológico de São Miguel das Missões. Este local é exemplo da a coexistência da obra de vários autores diferentes e de tempos distintos. A proposição de uma nova abordagem semântica para a questão não visa apontar a inadequação na terminologia corrente, mas sim considerar a extensão desta categoria de projeto, buscando enfatizar seu caráter subjetivo.

Palavras-chave

Abstract

There is still great divergence regarding the terminology to be used to designate an intervention in architectural preexistence. There is no clarity regarding the meaning of terms such as preservation, conservation, maintenance, recovery, recycling, retrofit, restoration and others. In addition to this lack of definition, it can be seen that most of the current terms are restricted to dealing with the material transformations carried out by intervention projects. Considering that this category of project is an exercise of memory, it is understood that its actions have a very relevant subjective character. The architect interweaves points of the past and the present, creating a new reality and modifying the timeline of that building. Based on this, it is proposed to use a new terminology for preexisting interventions, more related to temporal transformations, dividing the procedures into three categories: delay, return and restart. To explain and exemplify these categories, an analysis is made of the trajectory of the Archaeological Complex of São Miguel das Missões. This site is an example of the coexistence of the work of several different authors and different times. The proposition of a new semantic approach to the question does not aim to point out the inadequacy in the current terminology, but rather to consider the extension of this category of project, seeking to emphasize its subjective character.

Keywords

Como citar

OLIVO, Paula Bem. São Miguel das Missões: o atraso, o regresso e o reinício. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 13., 2019, Salvador. Anais [...]. Salvador: Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia, 2019. p. 1-20. ISBN 978-85-66843-06-4. DOI: 10.5281/zenodo.19077593.

Referências

  • BRASIL ARQUITETURA. Brasil Arquitetura, 2014. Complexo Cultural do Sítio de São Miguel Arcanjo. Disponível em: <http://brasilarquitetura.com/#>. Acesso em: 14 mar. 2019
  • CARBONARA, G. Avvicinamento al restauro. Nápoles: Liguori, 1997.
  • CARSALADE, F. L. A preservação do patrimônio como construção cultural. Arquitextos, São Paulo, ano 12, n. 139.03, Vitruvius, dez. 2011 <http:// www.vitruvius.com.br/ revistas/read/arquitex- tos/12.139/4166> Acesso em 10 de junho de 2017.
  • CARSALADE. F. L. A Pedra e o Tempo: arquitetura como patrimônio cultural. Belo Horizonte: Ed.
  • CHOAY, F. Alegoria do Patrimônio. Lisboa: Edições 70, 2014.
  • COMAS, C. E.; SANTOS, C. R.; ZEIN, R. V. Autoridades, emendas, paradoxos e peculiaridades da preservação do patrimônio moderno. Salvador: UFBA, Anais do 2o Seminário Docomomo N-NE, 2008.
  • COMAS, C. E. Ruminações Recentes: Reforma Reciclagem/ Restauro. In: Summa+, Buenos Aires, n. 115, p. 56- 61, jun.2011
  • COHEN, J. L. O Futuro da Arquitetura desde 1889. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
  • COSTA, Lucio. Relatório sobre os Sete Povos das Missões/RS. Rio de Janeiro: Arquivo Noronha Santos, 1937.
  • COSTA, Lucio. A arquitetura dos jesuítas no Brasil. In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no 26, Rio de Janeiro: IPHAN, 1997a.
  • COSTA, Lucio. Lucio Costa: Registro de uma Vivência. 2a ed., São Paulo: Empresa das Artes, 1997b.
  • CUNHA, C. R. Alois Riegl e o culto moderno dos monumentos. Resenhas Online, São Paulo, ano 05, n. 054.02, Vitruvius, 2010. Disponível em: <http:www.vitruvius.com.br/ revistas/read/resenhasonline/05.054/3138>. Acesso em 11 de junho de 2017.
  • DE GRACIA, F. Construir en lo construido: la arquitectura como modificación. Editorial Nerea, 1992.
  • DEZZI BARDESCHI, M. Restauro: punto e da capo. Frammenti per una (impossibile) teoria. Franco Angeli, Ex Fabrica, 1991.
  • FERRAZ, M. C. Memória do Futuro. In: Jornal Folha de São Paulo, 25 de fevereiro de 2003.
  • FRAMPTON, K. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
  • FROTA, J. A. D. O passado no presente: um caminho para preservação e contemporaneidade- opinião. Arqtexto. Porto Alegre. N. 1 (2001), p. 110-111, 2001.
  • GOLDBERGER, P. A Relevância da arquitetura. São Paulo: BEI Comunicação, 2011.
  • GONZÁLEZ CAPITEL, A. Metamorfosis de monumentos y teorías de la restauración. Alianza Editorial, 1988.
  • JOKILEHTO, J. A history of architectural conservation. Oxford: Elsevier Butterworth Heinemann, 2010.
  • KÜHL, B. M. Restauração hoje: método, projeto e criatividade, In: Desígnio – Revista de História da Arquitetura e do Urbanismo, São Paulo, n. 6, p. 19-34, nov 2007.
  • LAGUNES, M. M. S. La restauración después de Cesare Brandi. In: Reconceituações contemporâneas do patrimônio, v. 1, p. 19, 2011.
  • MANENTI, L. Intervenções Reabilitadoras do Período Renascentista Italiano. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Arquitetura. Programa de Pesquisa e Pós- graduação em Arquitetura. Porto Alegre, 2004.
  • MAYERHOFER, Lucas. Reconstituição do Povo de São Miguel das Missões. Tese de Concurso,
  • UFRJ, Rio de Janeiro, 1947.
  • UFRJ. A Igreja de São Miguel das Missões. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, 6: 7-49. São Paulo: USP, 1969.
  • PELLEGRINI, A. C. Quando o projeto é patrimônio: a modernidade póstuma em questão. 2011. 276 f. Tese (Doutorado em Teoria, História e Crítica da Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.
  • PINHEIRO, José Feliciano Fernandes, Visconde de São Leopoldo. Anais da Província de São Pedro. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
  • RIEGL, A. O Culto Moderno dos Monumentos: a sua essência a sua origem. Tradução Werner Rothschild Davidsohn, Anat Falbel. São Paulo: Perspectiva, 2014.
  • ROCHA, Ricardo. O pavilhão Lucio Costa. Uma proposta. Minha Cidade, São Paulo, ano 01, n. 006.01, Vitruvius, jan. 2001 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/01.006/2099>
  • ROSSI, A. A arquitetura da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • STELLO, Vladimir Fernando. Sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo: avaliação conceitual das intervenções 1925-1927 e 1938-1940. Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005.
  • SUMMERSON, J. Heavenly mansions. Nova Iorque: W.W. Nor- ton & Company, 1998.
  • VIÑAS, S. M. “Who is Afraid of Cesare Brandi?” Personal reflections on the Teoria del restauro. In: CeROArt. Conservation, exposition, Restauration d’Objets d’Art. Association CeROArt asbl, 2015. Disponível em <https:// journals.openedition.org/ceroart/4653 > Acesso em 29 jan. 2019
  • ZEIN, R. V.; DI MARCO, A. A rosa por outro nome tão doce… seria. SEMINÁRIO DO_CO, MO. MO_BRASIL: O Moderno Já Passado—O Passado No Presente: Reciclagem, Requalificação, Rearquitetura, v. 7, 2007.

Ficha catalográfica

13º Seminário Docomomo Brasil: anais: arquitetura moderna brasileira: 25 anos do Docomomo Brasil: todos os mundos, um só mundo [recurso eletrônico] / organização: José Carlos Huapaya Espinoza. Salvador: Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia, 2019. ISBN 978-85-66843-06-4