Sonhos americanos: as casas Canoas, de Oscar Niemeyer, e Cueva, de Juan O'Gorman
Resumo
Em janeiro de 1959, a Life publicou um artigo sobre quatro casas de arquitetos para eles mesmos e suas famílias. Além de obras de Kenzo Tange e Eero Saarinen, a Casa Cueva (Juan O’Gorman,1948-1953) e a Casa Canoas (Oscar Niemeyer, 1952-53) estavam nesse grupo seleto de casas suburbanas unifamiliares que, junto a carros, aparelhos eletrodomésticos e tantos outros objetos de desejo, eram emblemas do “sonho americano” que a revista propagava. O texto de introdução utiliza a palavra laboratório em referência à maneira como arquitetos encaram o desafio da criação da própria morada. Distintas dos comportados e sóbrios exemplos japonês e americano, as realizações latinas aparecem como experiências exóticas semelhantes, apesar dos contrastes evidentes entre elas duas, como intentos de integração harmoniosa entre arquitetura e natureza, nos quais a edificação se funde ou confunde com o entorno natural. Assim como já foi feito em relação a casa Canoas anteriormente, por um dos autores deste trabalho, o que pretendemos mostrar com este texto é que a relação da casa mexicana com a natureza também é bem mais ambígua e sombria do que aquela leitura superficial que se restringe à interpenetração entre espaço interior e exterior.
Palavras-chave
Abstract
In January 1959, Life published an article about four houses made by architects for themselves and their families. Besides works by Kenzo Tange and Eero Saarinen, Casa Cueva (Juan O'Gorman, 1948-1953) and Casa Canoas (Oscar Niemeyer, 1952-53) were in this select group of single-family suburban houses that, along with cars, appliances, and so many other objects of desire were symbols of the "American dream" that the magazine propagated. The introductory text uses the word laboratory refering to the way architects face the challenge of creating their own homes. Distinct from the composed and sober Japanese and American examples, Latin residences appear as similar exotic experiences, despite the obvious contrasts between both of them, as attempts of a harmonious integration between architecture and nature, in which the building fuses or confuses itself with the natural environment. As already done concerning Casa Canoas - by one of the authors of this work -, the purpose of this text is to show that the relationship between the Mexican house and nature is also much more ambiguous and somber than that of a superficial reading that is restricted to the interpenetration between interior and exterior space.
Keywords
Como citar
COMAS, Carlos Eduardo Dias; PEIXOTO, Marta Silveira. Sonhos americanos: as casas Canoas, de Oscar Niemeyer, e Cueva, de Juan O'Gorman. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 13., 2019, Salvador. Anais [...]. Salvador: Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia, 2019. p. 1-13. ISBN 978-85-66843-06-4. DOI: 10.5281/zenodo.19077851.
Referências
- ANDRADE, Oswald. Memórias sentimentais de João Miramar. São Paulo: Globo, 2004.
- ARELLANO, Iván. Casa O’Gorman. Habitando la cueva (1949-1969). Tesis doctoral. UPC/ETSAB. Barcelona, Noviembre de 2015.
- COMAS, C. E. El Oasis de Niemeyer. Arquine. Ciudad de Mexico, n. 05. p. 10-20. Otoño, 1998. Houses architects live in: homes reveal four famous designers’ ideas. LIFE. Chicago, v. 46, n. 3, p.
Ficha catalográfica
13º Seminário Docomomo Brasil: anais: arquitetura moderna brasileira: 25 anos do Docomomo Brasil: todos os mundos, um só mundo [recurso eletrônico] / organização: José Carlos Huapaya Espinoza. Salvador: Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia, 2019. ISBN 978-85-66843-06-4

