Sobre o cotidiano e o sagrado: Catedral de Brasília x San Sebastiano
Resumo
Ao priorizar o percurso e a espacialidade, a Catedral de Brasília celebra o sujeito nas suas dimensões subjetivas, oferecendo diversas percepções e sensações ao longo do caminho, onde é possível verificar as diferenças de escalas – a universal e a cotidiana. A geometria e a modulação, utilizadas no projeto da Catedral, são características da estética modernista. Essa geometria é herdeira das normas renascentistas, que estabelecem a matemática como modos de interpretação da natureza, assim como se dava na antiguidade clássica – na qual a natureza seria a maior referência para a beleza. O espaço criado na linguagem renascentista gera pontos de vistas privilegiados, concebendo diversas perspectivas, que normalmente não prescindem de um deslocamento. O sujeito estaria situado em um ponto fixo, privilegiando a sua dimensão racional e universal. Nessa situação, entende-se que todos teriam praticamente as mesmas percepções do espaço/arquitetura. Tal experiência se opõe aquele tipo de apropriação que privilegia o homem na sua dimensão subjetiva, por meio do percurso, que é o caso da Catedral, como dito acima. Analisando esses dois tipos de vivências do espaço, utilizaremos como estudo de caso a igreja de San Sebastiano, obra de Leon Battista Alberti, em Mântova, e a Catedral de Brasília, de Oscar Niemeyer.
Palavras-chave
Como citar
BORGES, Carolina da Rocha Lima. Sobre o cotidiano e o sagrado: Catedral de Brasília x San Sebastiano. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 14., 2021, Belém. Anais [...]. Belém: Universidade Federal do Pará, FAU, PPGAU, 2021. p. 1-14. ISBN 978-65-00-40027-4. DOI: 10.5281/zenodo.19078255.
Referências
- ALBERTI, L. B. On the Art of Building in Ten Books. Tradução de Joseph Rykwert, Neil Leach e Robert Tavernor. Londres: The Mit Press, 1988.
- ALBERTI, L. . Da Arte de Construir. Tratado de Arquitetura e Urbanismo. Tradução de Sérgio Romanelli. São Paulo: Hedra, 2012.
- BACHELARD, G. A Poética do Espaço. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
- CAVALCANTI, L (organizador). Quando o Brasil era Moderno: Guia de Arquitetura 1928 – 1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.
- DOCZI, György. O Poder dos Limites: Harmonias e Proporções na Natureza, Arte e Arquitetura. Tradução por Maria Helena de Oliveira Tricca e Júlia Barany Bartolomeu. São Paulo: Mercuryo, 1990.
- GHYKA, M. C. Estética de las Proporciones en la Naturaleza y en las Artes. Tradução para espanhol de J. Bosch Bousquet. Buenos Aires: Editorial Poseidon, 1953.
- GHYKA, M. El Número de Oro. Tradução para o espanhol de J. Bosch Bousquet. Barcelona: Editorial Poseidon: Los Ritmos, 1978.
- GIEDION, S. Espaço, Tempo e Arquitetura: o Desenvolvimento de uma Nova Tradição. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2004.
- GOROVITZ, M. Os Riscos do Projeto: Contribuição à Análise do Juízo Estético na Arquitetura. São Paulo: Studio Nobel, 1993.
- HAUSER, Arnold. Historia social da arte e da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
- HICKS, P. Deixei meu Teodolito no Alto do Campanário. In: Na Génese das Racionalidades Modernas II: em Torno de Alberti e do Humanismo. Belo Horizonte: UFMG, 2013
- HOLANDA, F. Oscar Niemeyer: de Vidro e Concreto. Brasília: FRBH, 2010.
- KOTHE, R. F. Ensaios de Semiótica da Cultura. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2011.
- NIEMEYER, O. Oscar. Conversa de Arquiteto. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revan, 1999.
- NIEMEYER, O. A catedral de Brasília. Revista Módulo. Rio de Janeiro, n. 11, dez. 1958.
- OSBORNE, H. Estética e Teoria da Arte – Uma Introdução Histórica. 3o edição. Tradução de Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Ed. Cultrix, 1970.
- RASMUSSEN, S. Arquitetura Vivenciada. 2. ed. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1998.
- UNDERWOOD, D. Oscar Niemeyer e o Modernismo de Formas Livres no Brasil. Tradução de Betina Bischof. São Paulo: Cosac e Naify, 2002
- VITRÚVIO, P. Compendio de Los Diez Libros de Arquitectura. Tradução de Don Joseph Castañeda. Madrid: D. Gabriel Ramirez, 1761.
- VITRÚVIO, P. Tratado de Arquitetura. Dez Livros. Tradução do latim por M. Justino Maciel. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
- VITRÚVIO, P. Tratado de Arquitetura. Dez Livros. Tradução do latim por M. Justino Maciel. 3. ed. Lisboa: IST Press, 2009.
- ZEVI, B. Saber ver a Arquitectura. 2. ed. Lisboa: Ed. Arcádia, 1977.
- ZEVI, B. Saper Vedere la Città. Firenze: Ed. Bompiani, 2018. Revista Módulo, v.2, n.11, dez.1958. Revista Acrópole, ano 22, n. 256, Fev. 1960.
Ficha catalográfica
14º Seminário Docomomo Brasil: anais: o modernismo em movimento: usos, recursos, novas cartografias: presente e futuro do legado da Arquitetura moderna no Brasil [recurso eletrônico] / coordenação: Celma Chaves, Cybelle Miranda. Belém: Universidade Federal do Pará, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2021. ISBN 978-65-00-40027-4

