Concreto estampado: as superfícies do Grupo do Paraná
Resumo
Ao longo da história da arquitetura, o ornamento esteve relacionado à beleza e ao deleite visual, sendo parte do caráter expressivo do fazer arquitetônico. Após a condenação do elemento por Adolf Loos, a arquitetura brutalista começou a apresentar os primeiros sinais de um retorno uma sensibilidade plástica na arquitetura. O pós-modernismo, por sua vez, recorreu ao ornamento em um momento em que o modernismo não mais representava a sociedade vigente, buscando se aproximar do indivíduo através de símbolos conhecidos, que proporcionavam conexão e identificação. Nesse contexto de mudança de ideais, a partir da década de 1960, o ornamento em concreto aparente passou a se fazer presente em diversas obras oriundas da cidade de Curitiba, se tornando uma assinatura da arquitetura da cidade, com Abrão Assad, escultor e aluno da primeira turma do curso de arquitetura da UFPR, propondo elementos escultóricos nas superfícies em concreto aparente, composto de formas geométricas repetidas que estampavam as edificações. A linguagem plástica seria adotada pelos seus companheiros da capital paranaense, deixando como questionamento as motivações, e inspirações por trás do (re)uso do elemento. Essa característica plástica se faz presente em especial em três edifícios relevantes no período: o edifício sede da Petrobras (1967), no Rio de Janeiro, o Palácio das Telecomunicações (1966), e o Instituto de Previdência do Paraná (1967), ambos em Curitiba, mostrando como um diferencial em relação a outras arquiteturas produzidas à época no Brasil. Com base na metodologia histórico-interpretativa, percorrendo as origens da aversão modernista à ornamentação e chegando no surgimento de uma nova sensibilidade no pós-modernismo, esse trabalho busca compreender, através da revisão da literatura, o pensamento em torno do ornamento e da obra arquitetônica das três obras citadas, o contexto em que foram criadas e a mudança de pensamento presente nas suas criações.
Palavras-chave
Como citar
CARUBELLI, Carla. Concreto estampado: as superfícies do Grupo do Paraná. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
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- Picon, Antoine. O ornamento arquitetural: entre subjetividade e política. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2024.
- Pacheco, Paulo. “O risco do Paraná e os concursos nacionais de arquitetura 1962-1981.” Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004.
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