Casa sobre el arroyo: a natureza no cotidiano
Resumo
“Las ciudades deben devolver a los hombres lo que les quitaron: la luz, el aire, el sol, el goce del espacio y del tiempo" – é como se inicia o projeto-manifesto elaborado por Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge, publicado em 1976, sob o título La ciudad que necesita la humanidad. Essa exploração teórica e projetual elaborava uma ideia de cidade em altura, tendo como constante a vista infinita sobre a copa das árvores. A condição aérea e ambiental de vivência proposta tem uma correspondência em menor escala na primeira obra construída pelo casal de arquitetos, entre 1943 e 1945: a Casa sobre el arroyo, em Mar del Plata. Representativa dos ideais que permeariam sua obra conjunta, associa o habitar ao jardim, ao espaço, ar e luz. Apresenta-se como um reflexo da paisagem em que se insere, tanto de maneira figurada, ao espelhar a curva do curso d’água que a define, quanto literal, estampando o movimento dos galhos e folhas das árvores no plano envidraçado de seu invólucro. É a forte presença da vegetação e sua percepção vinculada ao movimento de percorrer a casa que não apenas a conectam ao lugar como também a munem de um sentido que é próprio da vivência cotidiana. Os projetos de Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge parecem sintetizar aquelas sutis substâncias que compõem a arquitetura, como definidas por Lina Bo Bardi, para além dos aspectos físicos e materiais: ar, luz, natureza e arte. Este trabalho pretende, portanto, a partir da análise da Casa sobre el arroyo, evidenciar essa natureza que permeia o projeto, através de sua aproximação a esses sutis elementos intangíveis, sem os quais as construções tornam-se vazias de significado.
Palavras-chave
Como citar
ATTUATI, Laura. Casa sobre el arroyo: a natureza no cotidiano. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.
Referências
- Carolina Quiroga, “Delfina Gálvez Bunge y la Casa sobre el Arroyo en Mar del Plata: visibilizando el patrimonio de las arquitectas modernas”, Perspectivas: Revista Científica de la Universidad de Belgrano, v. 4, n. 3, (2021): 135-159.
- Federico Prack, “Incendiaron la Casa sobre el Arroyo de Mar del Plata”, La Nación, 6 de setembro de 2004, <https://www.lanacion.com.ar/sociedad/incendiaron-la-casa-sobre-el-arroyo-de-mar-del-plata-nid634030/>
- Lina Bo e Carlo Pagani, “Sensibilità dei material”. Domus, n. 210, (1944): 314-319. A expressão é retomada no título do livro de Olivia de Oliveira, Lina Bo Bardi: Sutis substâncias da arquitetura. São Paulo, Barcelona: Gustavo Gili, 2006.
- Amancio Williams, Delfina G. de Williams e Jorge Vivanco, “Viviendas en el espacio” e “Viviendas em el espacio conjunto de ‘blocs’”, La Arquitectura de hoy, n. 12, (1947): 11-18.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 9.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 30.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 31.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 47.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 48, tradução nossa. No original: “[…] intentar um vuelo hacia la espesura, hacia el interior del bosque”.
- Johnston, La casa sobre el arroyo, 64.
- Silvestri, Graciela. Ars pública: ensayos de crítica e historia de la arquitectura, la ciudad y el paisaje. 1ª ed. Buenos Aires: Nobuko, 2011. 45, tradução nossa. No original: “sin la referencia a la línea recta, sin la relación proporcional, no se podría apreciar el movimiento y la variedad del sitio natural”.

