O espaço extra na habitação coletiva moderna e contemporânea

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Este artigo tem como objetivo estabelecer relações entre algumas estratégias e procedimentos presentes em edifícios emblemáticos da arquitetura moderna brasileira – aqui reunidos em torno do conceito de espaço extra – e questões contemporâneas pautadas nos discursos e práticas de três escritórios de arquitetura atuais: Lacaton e Vassal (França), Adamo-Faiden (Argentina) e Plan Común (Chile-França). Os edifícios modernos em questão, todos localizados na cidade do Rio de Janeiro são: os edifícios projetados por Lucio Costa para o Parque Guinle (1948-1954), o Edifício Júlio de Barros Barreto de autoria dos Irmãos Roberto (1947-1950) e o bloco principal do Conjunto Pedregulho de Afonso Eduardo Reidy (1946-1950).

Os três edifícios modernos, importantes representantes da chamada Escola Carioca, apresentam semelhanças no que diz respeito à aplicação de princípios espaciais e construtivos modernos e também diferenças importantes relativamente à escala da edificação, inserção urbana e perfil dos moradores, refletidas nas tipologias das unidades. O artigo argumenta que, em todos os casos, espaços extra-funcionais – tais como varandas, recuos de fachada, circulações coletivas alargadas e térreos livres – atuam como elementos-chave nas suas materializações produzindo uma rica variação de qualidades de ambiência e ampliando o espectro de possibilidades de uso e apropriação dentro e fora das unidades. Argumenta ainda que a presença dessas “gorduras espaciais” contribui para que essas arquiteturas se tornem dispositivos relacionais propriamente urbanos capazes de fomentar relações com a cidade e seus modos de vida atuando como infraestruturas da vida coletiva.

A análise dos exemplos citados evidencia vínculos entre as produções moderna e contemporânea e demonstra a atualidade e pertinência do repertório moderno para o ensino e a prática de projeto no âmbito da habitação coletiva, reafirmando o interesse de que a arquitetura possa contribuir qualitativamente na produção do espaço e da vida urbana nas cidades contemporâneas.

Palavras-chave

Como citar

CORRÊA, Juliana Sicuro. O espaço extra na habitação coletiva moderna e contemporânea. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • BRITTO, Alfredo. Pedregulho: o sonho pioneiro da habitação popular no Brasil. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2015.
  • ESKINAZI, Mara Oliveira; PENTER, Pedro Engel. “A Fachada e Grelha: Edifícios Bristol e Júlio Barros Barreto”. Do_co.mo,mo_br. Revista #6, dezembro, 2021. Págs 46-58.
  • FERREIRA DOS SANTOS, Carlos Nelson e VOGEL, Arno. Quando a rua vira casa: A apropriação de espaços de uso coletivo em um centro de bairro. Rio de Janeiro: Finep, 1981.
  • LACATON, Anne; VASSAL, Jean-Phillipe. “Free Space”. In: Museu Ico (org). Lacaton & Vassal. Free space, Transformation, Habiter. Barcelona: Puente Editores, 2022.
  • LACATON, Anne; VASAL, Jean-Philippe; DRUOT, Frederic. Plus: La vivenda colectiva. Territorio de excepción. Barcelona: Gustavo Gili, 2007.
  • MINDLIN, Henrique. Arquitetura Moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 1999 (1956).
  • PUENTE, Moises. Adamo-Faiden. Revista 2G, n. 91. Barcelona: Gustavo Gili, 2024.
  • SICURO, Juliana. O espaço extra das infraestruturas urbanas nas metrópoles: Rio de Janeiro e Berlim. Tese de doutorado. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2025.
  • SERAPIÃO, Fernando (ed.). Escola Carioca: arquitetura moderna no Rio de Janeiro. Revista Monolito, número 31, 2016.
  • SOUZA, Luiz Felipe Machado Coelho. Irmãos Roberto, arquitetos. Rio de Janeiro: Rio Books, 2014.