Edifício sede da Petrobrás: um ponto fora da curva?

Capa dos anais

16º Seminário Docomomo Brasil, Porto Alegre, 2025

Resumo

Este texto investiga a gênese do edifício sede da Petrobrás (EDISE), no Rio de Janeiro, cujo projeto foi selecionado por concurso nacional de arquitetura (1967/1968). Houve, em torno desse processo, sentimentos contraditórios, a começar pelo fato de se tratar de imposição de um governo autoritário. Some-se a isso as alterações ocorridas no andamento do concurso, como a mudança do terreno; o aumento das dimensões do programa e a determinação de que a obra deveria ser executada em duas etapas. A polêmica se intensifica quando, mesmo mediante maciça maioria dos participantes pertencerem ao eixo Rio/São Paulo, inclusive entre os integrantes do Júri, o concurso é vencido por uma equipe de jovens arquitetos da então periférica Curitiba. A crítica especializada não perdoa o projeto vencedor, que surge mediante características formais avessas às da arquitetura moderna brasileira. Depois de concluído, o edifício foi retratado como uma experiência megalomaníaca do período militar, rótulo que, embora amenizado pelo tempo, ainda prevalece. Este texto, portanto, tem os seguintes objetivos: 1. resgatar o contexto existente nas duas fases do concurso e, assim, os prováveis motivos que levaram à premiação de uma equipe desconhecida; 2. conhecer o projeto do edifício e identificar óbices ou qualidades; 3. entender o contexto da cidade de Curitiba e a formação dos arquitetos premiados; 4. identificar as possíveis influências nacionais e internacionais que possam ter contribuído para a solução do projeto. Espera-se, pois, responder a pergunta título desse texto: o Edifício Sede da Petrobrás configura um ponto fora da curva? Pode ser visto como um corpo estranho à ampla produção da arquitetura moderna brasileira? A resposta talvez revele a verdadeira identidade do EDISE.

Palavras-chave

Como citar

PACHECO, Paulo. Edifício sede da Petrobrás: um ponto fora da curva?. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 16., 2025, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: Marcavisual Editora, 2025. ISBN 978-65-993024-6-6.

Referências

  • Barone, Ana Cláudia. Team 10, arquitetura como crítica. São Paulo: Annablume, 2002.
  • Bastos, Maria Alice Junqueira. Arquitetura Contemporânea Brasileira após Brasília. Dissertação de Mestrado, FAUUSP, 1999.
  • Bruand, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1999.
  • Ceniquel, Mário. A Prática Arquitetônica como Forma de Elaboração de Uma Crítica Arquitetônica. Dissertação de Mestrado, FAU USP, 1990. Correio da Manhã, Sede da PETROBRÁS, 1965.
  • Gandolfi, José Maria. Acervo do Arquiteto: pranchas originais do projeto da Fase II/ concurso PETROBRÁS.
  • Hertzberger, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
  • Mondolfo, Eduardo. “Arquitetura pós-moderna. Hibernação tropical (parte 2),”. Módulo nº 83 (novembro 1984): 36-41.
  • Pacheco, Paulo Cesar Braga. O Risco do Paraná e os Concursos Nacionais de Arquitetura: 1962-1981. Dissertação de Mestrado PROPAR, UFRGS, 2004.
  • Pacheco, Paulo Cesar Braga. A Arquitetura do Grupo do Paraná: 1957-1980. Tese de Doutorado, PROPAR, UFRGS, 2010.
  • Xavier, Alberto. Arquitetura Moderna em Curitibana. São Paulo: Pini, 1986.
  • Zein, Ruth Verde. “Brutalismo, Escola Paulista: entre o ser e o não ser”. ARQTEXTO nº2, UFRGS (2001/2002): 32-57.